INTERAÇÃO E COMUNICAÇÃO.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

RUSSIA E CHINA







Rússia e China: de mãos dadas!








Agora é pra valer e pra todo mundo ver!

Estados Unidos e União Européia que se cuidem!

"Notícias: Maio de 2014":


"RÚSSIA E CHINA TEM GRANDES PLANOS DE


 COOPERAÇÃO MILITAR"  

Por Vassili Kashin

21, Maio/2014

A Rússia e a China irão desenvolver a cooperação técnico-militar e os contatos à nível de Ministérios da Defesa, foi o acordo a que chegaram os dois líderes dos dois países durante a visita de Vladimir Putin à China.

Essa cooperação é um importante fator para a estabilidade e segurança na região e em todo o mundo, sublinhou o presidente russo no final das conversações com o seu homólogo chinês Xi Jinping, realizadas em Xangai.

As visitas russo-chinesas ao mais alto nível nunca são acompanhadas de informações sobre novos contratos na área da cooperação técnico-militar. 

As questões práticas raramente são refletidas nos documentos finais, eles apenas sublinham a importância da cooperação nessa área. O acontecimento fundamental para a cooperação técnico-militar russo-chinesa são os encontros da comissão intergovernamental para a cooperação militar, cujos copresidentes são os ministros da Defesa. Esses encontros se realizam normalmente em outubro-novembro de cada ano.

Apesar de durante os encontros ao mais alto nível não se realizarem acordos concretos na área do comércio de armamento, os líderes dos dois países poderão abordar, durante as conversações, as dificuldades existentes na concretização de projetos ou acordar a abordagem de novas áreas. Neste momento há dois grandes negócios que estão numa fase mais desenvolvida: os fornecimentos à China de 24 caças Su-35 e de uma remessa de sistemas de mísseis antiaéreos S-400 (possivelmente até 12 divisões).

A dinamização da evolução dos trabalhos no âmbito desses dois acordos já se tinha notado nos meses anteriores. Até ao fim do ano poderão surgir os contratos e até meados de 2016 poderão ser realizados os primeiros fornecimentos. É possível que os líderes dos dois países se tenham conseguido entender para acelerar um pouco os trabalhos nessa direção. 

Simultaneamente prosseguem os trabalhos no projeto do fornecimento à China de quatro submarinos da classe Amur-1650, sendo dois deles construídos na Rússia e dois na China. Depois de terminada a definição do equipamento técnico dos submarinos, se pode igualmente esperar a assinatura desse contrato.

As futuras conversações poderão abordar os fornecimentos à China de novos equipamentos ou tecnologias. Aqui podem surgir problemas devido a vários tipos de limitações políticas e receios de fuga de tecnologias. Poderá se tratar de usinas nucleares flutuantes desenvolvidas na Rússia e que utilizam reatores navais modificados. Neste momento a China está desenvolvendo, ela própria, reatores nucleares para o seu futuro porta-aviões. Também é possível negociação do fornecimento à China de reatores nucleares para sondas espaciais. Esses reatores poderão ser úteis para os satélites de reconhecimento equipados com radares potentes.

Tendo em conta a dinâmica da construção das forças estratégicas nucleares, não se deve excluir a hipótese de a China estar interessada em tecnologias russas usadas na construção de sistemas de alerta precoce contra ataques de mísseis (BMEWS). A construção de um sistema próprio de alerta permitiria aos chineses aumentar consideravelmente a capacidade de sobrevivência das suas próprias forças nucleares e conceder-lhes a capacidade de realizar um ataque de resposta precoce.

No caso de uma resposta precoce, os mísseis são lançados depois do lançamento dos mísseis inimigos, mas antes de eles atingirem os alvos no território atacado. Isso, em princípio, permite reduzir a probabilidade de o inimigo lançar um ataque preventivo. Provavelmente, terão perspetivas de desenvolvimento quaisquer tecnologias relacionadas com armamentos submarinos, que neste momento são uma das prioridades da marinha chinesa.

Nas atuais condições da situação política, poderá ser discutida provavelmente a correção da anterior abordagem cautelosa, por parte da Rússia, da cooperação técnico-militar com a China. É possível que a importância deste encontro ao mais alto nível seja precisamente o registrar dessa nova realidade, enquanto os acordos específicos deverão ser abordados nos meses seguintes durante 2014.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Antes que eles cresçam

 (COMUNIDADE CRISTÃ BETH-SHALOM) MURITIBA-BA


Antes que eles cresçam

Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos.
É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.
Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maneira que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça...
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes e cabelos longos, soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com uniforme de sua geração.
Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas.
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não se repitam.Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos filhos.Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueses e refrigerantes, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.No princípio iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhos.
Sim havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.
Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.
Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daqueles "abusadinhos".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e orando  muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.
O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos.
O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.
Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.
Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

EU TENHO MEDO.




Eu tenho medo de crescer... de crescer para fora
 e não para dentro...eu tenho  medo de crescer aos 
seus olhos e fugir de mim e se perder de mim... 
não!! eu não quero crescer !!! eu quero que ele 
cresça em mim (João 3:30) eu não quero crescer 
e ser escravo desse crescimento, e negar o que sou 
e me trouce até aqui... não quero me esconder do 
meu passado frente a esse ''crescimento'', não quero
 esconder as minhas fotos que bem dirão de onde 
vim  , eu tenho medo de me perder e não ser mas Eu....
 de ser fruto de um crescimento que não seja Eu, 
 não amigo não sou covarde!!! ... não esse crescimento
 que te roubou de nós eu não quero... esse cresci-mento que torna as pessoas em uma pessoa que nem elas se reconhecem... se você  chama isso de crescimento eu o chamo de destruição da essência do seu EU Interior....um ser estereotipado fruto de uma sociedade hipócrita que mata.  (Flávio S. Silva) 

ANTÔNIO CONSELHEIRO E O MASSACRE DE CANUDOS


A versão oficial de toda guerra, que passa para os livros de história como o entendimento real e "verdadeiro" de um fato, é sempre aquela apresentada e analisada pela parte vencedora do conflito, sem que jamais os derrotados possam expor suas opiniões. A chamada Guerra de Canudos, Revolução de Canudos ou Insurreição de Canudos foi na verdade, assim como a Guerra do Paraguai (1865-1870), um massacre promovido pelo Exército Brasileiro.
Ilustração de Antônio Conselheiro
Entender o que aconteceu na pequena Canudos, localizada no interior do sertão nordestino brasileiro, ao norte do estado da Bahia, requer uma viagem no tempo para muito antes de 1896, ano em que teve início o conflito no qual, quase um ano depois, em outubro de 1897, mais de 25 mil humildes sertanejos haviam sido massacrados.

A história do massacre de Canudos começa com a história de vida de Antônio Conselheiro, ao redor de quem o pequeno arraial surgiu e cresceu.

Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, figura presente em todos os livros de História do Brasil, e apresentado geralmente como ignorante, traidor, fanático, arruaceiro e louco, nasceu no interior do Ceará, na pequena Quixeramobim, em 1830. Nos primeiros anos de sua vida, os pais do pequeno Antônio queriam que ele fosse padre quando crescesse, pois essa era a formamais fácil de ascensão social naquele Nordeste miserável do século 19, porém, os rumos começaram a mudar quando, aos 6 anos, Antônio perdeu a mãe. Seu pai casou-se novamente menos de dois anos depois, e o menino, então com quase 8 anos, passou a ser espancado e maltratado pela madrasta. Antônio era uma criança acanhada, mesmo assim aprendeu latim, francês, geografia e aritmética. Mais tarde, definiria sua infância como um "período de dor".

Aos 25 anos, em 1855, perde o pai e passa a administrar uma pequena vendada família. Pára de estudar e esquece em definitivo as aspirações de tornar-se padre. Os negócios com o comércio não vão bem e Antônio é processado por não quitar algumas dívidas. Alguns historiadores dizem que as dificuldades financeiras eram fruto das ajudas dadas aos pobres já naquele tempo.

Em 1857, aos 27 anos, casa-se com sua bela prima e deixa de vez a vida de pequeno comerciante. Passa a trabalhar como professor primário, dando aulas para os filhos de comerciantes e fazendeiros da região onde vive. Por ter certo nível cultural, Antônio passa a atuar também como uma espécie de advogado prático dos pobres, buscando a solução de causas nos pequenos fóruns do interior.

Em 1861, ao chegar em casa, flagra a esposa com um sargento da força pública. Muito deprimido e abatido, Antônio sai sem rumo pelo interior do sertão. Conhece a escultora de imagens em barro e madeira Joana Imaginária e tem um filho com ela, mas deixa-os em 1865, para dedicar-se em definitivo a vida de andarilho, pregador e peregrino.

A figura dos beatos era comum naquele pobre sertão nordestino da segunda metade do século 19, já que poucas igrejas do árido interior possuíam padres. Os homens e mulheres que tivessem um pouco de cultura, o que era raro entre a população pobre do interior nordestino, acabavam tomando conta e liderando as atividades religiosas naquela região. Havia uma espécie de classe informal formada por sacerdotes não oficiais que eram inicialmente tolerados pela Igreja.

Os beatos rezavam, benziam e desempenhavam as atividades religiosas mais simples. Quando se destacavam pelas pregações e pelo número de seguidores a quem aconselhavam, eram classificados, numa espécie de hierarquia religiosa informal, como conselheiros. Antônio foi um deles.

Quando surgia caminhando nas planícies e nos vales da caatinga nordestina, com longa barba e cabelos grisalhos, abrigado pela veste típica dos padres capuchinhos, o povo pobre dizia: "Lá vem o Bom Jesus"! Bom Jesus era outro popular apelido de Antônio Conselheiro. Os sertanejos acreditavam que sua figura "bíblica" havia saído direto do Velho Testamento. Por onde passava, Conselheiro ia reerguendo as paredes caídas de igrejas e cemitérios.

O discurso de Antônio Conselheiro, embora católico, pregava que a Igreja estava sempre do lado dos fortes e ricos, deixando os humildes abandonados. As pregações também criticavam o acúmulo de terras improdutivas no interiordo Nordeste. Antônio Conselheiro já era ouvido atentamente pelo povo e não podia ser acusado formalmente de nenhum crime. Sendo assim, sem poder ser incriminado por falar a verdade, foi preso em 1876, acusado pelo assassinato da mãe e da esposa. A primeira morta quando Antônio tinha 6 anos, e a segunda ainda vivia na ocasião.

Na prisão, Conselheiro foi agredido e torturado, sendo solto graças a protestos do povo. Depois de peregrinar por mais de 20 anos, num percurso à pé que abrangeu Pernambuco, Alagoas e Sergipe, Antônio Conselheiro decide viver com alguns seguidores em uma fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris, no norte da Bahia.
Localização do município de Canudos dentro do estado da Bahia

Nasce assim, em 1893, a experiência única de uma comunidade igualitária que tanto prosperou de forma independente no Brasil. O nome inicial dado por Conselheiro foi Belo Monte, mas depois da destruição total, o Exército Brasileiro deu o nome de Canudos à localidade, em alusão a abundância de bambus em forma de canudos que cresciam naquela região, e para exterminar também o carisma do nome original.

Canudos surgiu 5 anos após a libertação dos escravos e 4 anos após o fim do Império e a proclamação da República, num Brasil que ainda estava preso ao modelo de economia rural dos tempos da colonização, mas buscava integrar-se na nova ordem econômica mundial da industrialização capitalista.

A miséria no interior nordestino nunca foi tão intensa quanto nesse período recém-republicano. Foi nesse contexto que também surgiram os grupos de bandidos sociais, que deram origem ao movimento do Cangaço. Bandos armados assaltavam fazendas e pequenos povoados, pois, na ética dos desesperados, roubar para matar a fome não era crime. O mais famoso desses bandos foi o liderado por Virgulino Ferreira, o Lampião.

Outros desesperados, como escravos recém-libertos e grandes levas de sertanejos pobres, seguiam para Canudos, onde não havia cobrança de impostos e toda a produção das plantações e das criações de cabras era distribuída segundo as necessidades de cada família. Canudos cresceu rápido e em menos de uma década, já era a 3ª maior cidade da Bahia. Comercializava com Juazeiro e Salvador o excedente de suas produções.

Canudos chegou a ter 8 mil habitantes e só possuía uma rua, que começava na igreja onde Antônio Conselheiro pregava. Os casebres se amontoavam desordenadamente sobre as colinas próximas, fato usado por muitos para classificar a incapacidade e a ignorância dos sertanejos. Porém, na obra 'A Guerra Social de Canudos', o autor Edmundo Moniz afirma que a aparente disposição desordenada das casas tratava-se de uma estratégia de defesa, já que Antônio Conselheiro sabia que a República atacaria Canudos, e as casas desordenadas seriam trincheiras umas para as outras.
Ilustração da visão geral de Canudos, onde se observa a disposição desordenada das casas e o curso do rio Vaza-Barris, no fundo do relevo
Conselheiro também teve o cuidado de escolher um lugar para construir a comunidade onde o acesso só seria possível por caminhos difíceis pelo meio da caatinga, e próprios para embocadas dos seguidores conselheiristas.

Antônio Conselheiro ou "homem santo", como também era chamado, pregava contra a opressão da cobrança de impostos violenta da República. A oposição ao casamento civil e à separação entre as lideranças religiosa e política, características da recém-proclamada República, renderam a ele a acusação de ser um perigoso agitador monarquista e anti-republicano.

Canudos incomodava à Igreja Católica, que via seus fiéis debandarem para a comunidade de Antônio Conselheiro, e incomodava também os grandes fazendeiros latifundiários do sertão nordestino, que viam sua mão de obra explorada seguindo para o lugar onde não havia a opressão de um sistema que não diferia em nada dos moldes escravistas, extintos só no papel alguns anos antes.
Vista geral de Canudos. Todas as fotos históricas presentes nesta coluna foram feitas pelo fotógrafo Flávio de Barros, que teve o acesso exclusivo a Canudos em 1897, durante a 4ª ofensiva do Exército Brasileiro sobre o povoado. Fica registrado aqui também o agradecimento ao Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, localizado na Bahia, e que disponibiliza as históricas fotografias

Antônio Conselheiro propunha a edificação de um cristianismo primitivo no sertão da Bahia, pregando que a Independência do Brasil só servira para os ricos continuarem explorando os pobres, que a libertação dos escravos foi assistida por gente ainda dominada pelos donos de fazenda, e que a República era coisa de ateus e maçons, útil apenas para confirmar o poder dos coronéis em suas terras ociosas.
Essa reação do sertanejo oprimido, em torno da edificação de uma comunidade mística e religiosa, foi a única forma de reagir encontrada por aquela gente. Na impossibilidade de explicar e entender de forma teórica e política a opressão em que viviam, apegaram-se à religiosidade para mudar sua realidade.
A crença que uniu e edificou Canudos não foi uma alienação, foi uma arma de resistência do sertanejo pobre, dentro de suas possibilidades de entendimento e reação política. A manifestação religiosa tão particular ocorrida em Canudos foi a forma encontrada pelos oprimidos para promoverem um desprendimento ideológico daqueles que os dominavam.
Vista geral de Canudos por outro ângulo


Diante dessa realidade de resistência, faltava apenas um simples estopim para a classe dominante católica e burguesa da República massacrar Canudos. Se Canudos não fosse destruída, surgiriam outras comunidades religiosas como ela no sertão. O conflito começou por um motivo banal e injusto. Antônio Conselheiro e os habitantes de Canudos estavam construindo uma nova igreja na localidade, e precisavam de madeira para edificar a base do telhado. Compraram a madeira em Juazeiro e pagaram adiantado, com os recursos gerados pelo comércio de sua produção excedente.
Um juiz de Juazeiro expediu uma ordem para que a madeira não fosse entregue aos seguidores de Antônio Conselheiro. Logicamente, os homens de Canudos partiriam para Juazeiro a fim pegarem a madeira que lhes era de direito. Uma força policial local com pouco mais de 100 homens foi envida para Canudos a fim de reprimir os "desordeiros", mas foi aniquilada rapidamente no pequeno povoado de Uauá, localizado no meio do caminho de 100 quilômetros entre Juazeiro e Canudos.
A polícia local baiana enviou então um relatório pedindo reforço ao Governo Federal, no qual afirmava que um elemento perigoso pregava doutrinas subversivas contra o Estado republicano, convencendo as pessoas de que era o próprio "Espírito Santo".
Sendo assim, o Exército Brasileiro enviou uma seqüência de 4 expedições a Canudos. A 1ª possuía 300 soldados do Exército e 100 da polícia baiana, e foi derrotada em novembro de 1896. A 2ª tinha 600 soldados do Exército, 2 grandes canhões e 2 metralhadoras, mas também foi derrotada pelo milicianos de Canudos, em janeiro de 1897. A 3ª expedição foi organizada com 1300 homens, artilharia, cavalaria, médicos, engenheiros militares e ambulâncias, mas também foi vencida pelos combatentes conselheiristas, em março de 1897, deixando para trás as peças de artilharia, as armas e as munições. A notícia da maior derrota sofrida pelo Exército até então corria pelo Brasil e deixava a população aterrorizada, diante do triunfo da milícia de "fanáticos" religiosos e monarquistas de Canudos.
A grande dificuldade enfrentada pelas tropas do Exército Brasileiro foi devido ao fato dos soldados republicanos, embora bem armados, não estarem preparados para lutarem na caatinga sertaneja. As fardas de lã dos soldados do Exército eram sérios agravantes nos vários casos de insolação que afligia a tropa.
Soldados do Exército Brasileiro que atuaram no ataque contra Canudos


O Exército era treinado por instrutores belgas baseados em manuais franceses. Os peças de artilharia atolavam na areia fina do sertão, e a roupa vermelha dos oficiais, em contraste com o árido cenário nordestino, tornava-os alvos fáceis para os combatentes de Canudos.
A 4ª expedição do Exército virou uma questão de honra para o Governo Federal, que não aceitava a seqüência de derrotas sofridas para alguns jagunços do sertão. Em abril de 1897, foram enviados 4 mil soldados e 400 oficiais de todo o Brasil, sob o comando de 2 generais e o próprio Ministro da Guerra. Os combates duraram meses e foi preciso o envio de mais 5 mil soldados em julho de 1897. Só 2 meses depois, em setembro, o Exército conseguiu dominar a última saída de Canudos, cercando totalmente o lugar.
Soldados do Exército com um prisioneiro seguidor de Conselheiro. Todos os habitantes de Canudos, sem exceção, foram impiedosamente executados

Canudos não podia mais receber alimentos, água e reforços formados por sertanejos que chegavam de todo o Nordeste para lutar e defender o arraial do "homem santo" Antônio Conselheiro. Era outubro de 1897 e o Exército Brasileiro bombardeava furiosamente as ruínas de Canudos, onde muitos combatentes resistiam sem oferecer rendição. Mesmo os que se rendiam, eram degolados ou fuzilados. Nem mulheres, crianças e idosos foram poupados.

Mulheres, crianças e idosos prisioneiros. Os historiadores afirmam que ninguém foi poupado


Antônio Conselheiro já estava morto e enterrado desde 22 de setembro, vitimado após ter sido ferido pelos estilhaços de uma granada, e acometido por forte diarréia.
Na tarde de 5 de outubro de 1897, a última trincheira de Canudos ainda resistia. Eram apenas 4 defensores vivos: um negro, um caboclo, um velho e um jovem de 16 anos. O velho era o comandante daquela última resistência e, tendo acabado seus cartuchos de munição, saiu da trincheira trajando a veste azul da Companhia do Bom Jesus, com uma machadinha nas mãos, em direção aos soldados do Exército. Os combates terminavam, mas continuava o massacre.
Ruínas da igreja nova de Canudos...

e as ruínas da igreja velha de Santo Antônio

O Ministro da Guerra deu a ordem para que todos os prisioneiros fossem degolados e as casas que restaram de pé fossem explodidas e incendiadas, para que não sobrasse nenhuma lembrança da comunidade religiosa de Canudos.
Casas de Canudos em chamas ao fundo. Nada sobraria do antigo povoado


O cadáver de Antônio Conselheiro foi retirado da sepultura, sua cabeça foi cortada e enviada para estudos na Faculdade de Medicina de Salvador, pois a ciência da época, baseada nas teorias do determinismo europeu, acreditava que a "loucura", a "demência" e o "fanatismo" podiam ser explicados na mistura de raças e nas características faciais do considerado "mostro dos sertões".
Corpo de Antônio Conselheiro exumado pelo Exército. A cabeça foi arrancada para "estudos"
Logo após o fim do massacre, Canudos foi reconstruída e repovoada. A nova população teve que abandonar definitivamente o lugar em 1970, pois a ditadura brasileira resolveu represar o rio Vaza-Barris, a fim de originar o lago de um açude na região. Canudos, que havia acabado anteriormente em sangue, acabava outra vez submersa.
Evandir Teixeira
Canudos sob a água, com parte da ruína da igreja emersa


Em 1996, uma forte estiagem na região fez o açude secar por completo em vários pontos, deixando Canudos novamente amostra. Nessa ocasião, as ruínas da cidade puderam ser estudadas por arqueólogos, sendo possível um melhor entendimento de como era a vida nos tempos de Antônio Conselheiro, assim como os costumes a as atividades religiosas na época.
Em 1996, quando a seca rigorosa possibilitou estudos arqueológicos. Depois, a chuva inundou novamente o lugar


O jornal ‘O Estado de São Paulo’ enviou o escritor Euclides da Cunha para cobrir o massacre de Canudos em 1897. As reportagens deram origem ao clássico da literatura brasileira ‘Os Sertões’, publicado 5 anos depois do fim do massacre, em 1902.
Embora Euclides da Cunha compartilhasse da idéia científica influenciada pelo determinismo europeu, que considerava o mestiço brasileiro uma raça inferior, o autor também apresenta em ‘Os Sertões’ a análise do atraso da população do litoral, considerada teoricamente evoluída e detentora dos conhecimentos científicos da época, mas que foi incapaz de resistir ao regresso à barbárie para manter o controle sobre os dominados "inferiores".
O escritor e repórter do ‘O Estado de São Paulo’ concluiu que o massacre de Canudos foi um erro histórico. Para ele, no lugar de soldados, o governo republicano deveria ter enviado mestres-escolas para educar a população de Canudos, rumo ao progresso da civilização, e não abusar do poder ao coibir com a força, uma população que só precisava ter sido integrada dignamente ao Brasil.
A frase mais célebre de Euclides da Cunha, presente em ‘Os Sertões’ e considerada a mais famosa da língua portuguesa brasileira é: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte". Essa frase tem, sem dúvida, sua mais fiel representação real nas últimas linhas do final da obra ‘Os Sertões’: "Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam cinco mil soldados".
Formado em Jornalismo pela Universidade de Taubaté, é autor do livro 'MANTIQUEIRA: ECOLOGIA, CULTURA e AVENTURA NA MONTANHA QUE CHORA'. O livro é uma grande reportagem que apresenta a Serra da Mantiqueira segundo seus aspectos físicos, naturais e culturais. Natural do RJ, mora na cidade paulista de Guaratinguetá há 11 anos, onde é instrutor do curso de Cartografia da Escola de Especialistas de Aeronáutica.

REDES DE ALTA TENSÃO , CUIDADO!!!! EFEITO DOS CAMPOS ELETROMAGNETICOS.

Campos Eletromagnéticos e a Saúde



INTRODUÇÃO


Efeitos potenciais de CEM gerados pelo homem sobre a saúde têm sido tópicos de interesse científico desde o final do século dezenove, e têm recebido atenção especial ao longo dos últimos trinta anos.
Ao contrário da radiação ionizante (tais como raios gama emitidos por materiais radioativos, raios cósmicos e raios-X) que ocupa a parte superior do espectro eletromagnético, os CEM, criados pelo homem, são demasiado fracos para quebrar as ligações que mantêm as moléculas ligadas em células e, portanto, não podem produzir ionização. É por essa razão que CEM são chamados de ‘radiações não-ionizantes’ (RNI). Radiações infravermelhas, ultravioletas, e ionizantes não serão mais abordadas neste site.

EXPOSIÇÃO A CEM

O que acontece quando alguém é exposto a CEM?

Correntes elétricas existem naturalmente no corpo humano e são partes essenciais das funções corporais normais. Todos os nervos enviam sinais via a transmissão de impulsos elétricos. A maioria das reações bioquímicas, desde aquelas associadas com a digestão até as envolvidas com a atividade cerebral, envolve processos elétricos.
Os efeitos da exposição externa do corpo humano e de suas células aos CEM dependem principalmente de sua freqüência e de sua magnitude ou intensidade. A freqüência simplesmente descreve o número de oscilações ou ciclos por segundo. A baixas freqüências, CEM atravessam o corpo enquanto que em radiofreqüências os campos são parcialmente absorvidos e penetram apenas em uma pequena profundidade no tecido.
Campo Elétrico


Campo Magnético
Campos elétricos de baixas-freqüências influenciam a distribuição de cargas elétricas na superfície dos tecidos condutores e causam um fluxo de corrente elétrica no corpo. Campos magnéticos de baixas-freqüências induzem correntes circulantes dentro do corpo humano. A intensidade dessas correntes induzidas depende da intensidade do campo magnético externo e do comprimento do percurso através do qual a corrente flui. Quando suficientemente intensas essas correntes podem causar o estímulo de nervos e músculos.
Em radiofreqüências (RF), os campos penetram somente uma pequena distância dentro do corpo. A energia desses campos é absorvida e transformada em movimento das moléculas. A fricção entre moléculas em movimento rápido resulta em um aumento da temperatura. Esse efeito é usado em aplicações domésticas como o aquecimento de comida em fornos de micro-ondas, e industriais, como na soldagem de plásticos ou aquecimento de metais. Os níveis de RF aos quais as pessoas estão normalmente expostas em nosso ambiente são muito inferiores aos necessários para a produção de um aquecimento significativo.


EFEITO, SENSAÇÃO E RISCO

Efeitos biológicos ou efeitos sobre a saúde?

Fonte: Folheto OMS, www.who.ch/emf/
Efeitos biológicos são mudanças mensuráveis a um dado estímulo (por ex. CEMs) ou mudanças no meio ambiente, e não são necessariamente de alguma maneira danosas à saúde. Por exemplo, ouvir música ou ler este documento produzirá efeitos biológicos. Não se espera que estas atividades causem efeitos sobre a saúde. O corpo tem mecanismos de compensação ou ajuste para todos os tipos de mudança e mudanças são parte da vida normal. Um efeito biológico pode, entretanto, se tornar adverso se o corpo é suficientemente estressado por longos períodos e a compensação adequada não é possível. Em seres humanos um efeito adverso à saúde resulta de um efeito biológico que cause um agravo detectável na saúde ou bem-estar dos indivíduos expostos.
A observância dos limites de exposição recomendados nas regulamentações nacionais e internacionais ajuda a controlar os riscos das exposições a CEM que possam ser prejudiciais à saúde humana. O debate atual está centrado em saber se a exposição durante longos períodos em níveis abaixo dos limites de exposição pode causar efeitos adversos à saúde ou influenciar o bem-estar das pessoas.

Efeitos de Campos

Fonte: folheto Wandel Golterman


ASSOCIAÇÃO E CAUSALIDADE

Fonte: Folheto OMS
Estudos epidemiológicos sobre a saúde humana investigam as causas e a distribuição das doenças em situações reais da vida, em comunidades ou grupos profissionais. Pesquisadores tentam estabelecer se existe uma associação estatística entre exposição a campos eletromagnéticos (CEMs) e a incidência de doenças específicas e outros efeitos adversos sobre a saúde.
Estes estudos isoladamente não podem, geralmente, estabelecer uma clara relação de causa e efeito, principalmente porque não podem descartar outras possíveis explicações para quaisquer dos efeitos observados. Por exemplo, se a exposição a CEMs numa certa ocupação foi identificada como associada a um aumento no risco de câncer, a associação pode ser na verdade causada por outros fatores no local de trabalho (presença de produtos químicos, p. ex.) ou fatores como poluição devido ao tráfego no local. Além disto, em estudos de CEMs, é difícil determinar o histórico de exposição de uma pessoa com certo grau de certeza.
Encontrar uma associação entre algum agente e uma doença não significa que o agente causou a doença. Na verdade, estabelecer a “causalidade” depende de muitos fatores, incluindo uma consistente e forte associação entre exposição e efeito, uma clara relação de dose-resposta, uma explicação biológica que tenha credibilidade e, acima de tudo,REPRODUTIBILIDADE: esta é a razão pela qual os cientistas tentam reproduzir qualquer experimento controverso.



CONCLUSÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS

Fotos da Pesquisa de
CEM no Brasil


O conhecimento científico a respeito dos efeitos sobre a saúde devido à presença de CEM é substancial e baseado em um grande número de estudos epidemiológicos, em animais e in vitro. Muitos resultados para a saúde, desde imperfeições reprodutivas a doenças cardiovasculares e neurodegenerativas foram examinados, mas a evidência mais consistente até a atualidade refere-se à leucemia infantil.
Em 2001, um grupo de trabalho integrado por peritos, constituído pela IARC (International Agency for Research on Cancer) da OMS reviu estudos relacionados com a carcinogenicidade de campos elétricos e magnéticos estáticos e de freqüências extremamente baixas (BF). Usando a classificação padrão da IARC que pondera as evidências humanas, animais e de laboratório, campos magnéticos de baixas frequências foram classificados como possivelmente carcinogênicos para humanos com base em estudos epidemiológicos de leucemia infantil.
Um exemplo de um bem-conhecido agente, classificado na mesma categoria é o café, que pode aumentar o risco de câncer renal, ao mesmo tempo em que protege contra câncer intestinal. “Possivelmente carcinogênico para humanos” é uma classificação usada para denotar um agente para o qual existe evidência limitada de carcinogenicidade em humanos e menos que suficiente evidência de carcinogenicidade em animais de laboratório.
Evidências para todos os outros tipos de câncer em crianças e adultos bem como outros tipos de exposição (isto é, campos estáticos e campos elétricos BF), foram consideradas inadequadas para a mesma classificação devido a informações científicas insuficientes ou inconsistentes. Embora a classificação de campos magnéticos BF como possivelmente carcinogênicos para humanos tenha sido estabelecida pela IARC, continua sendo possível que haja outras explicações para a associação observada entre exposição a campos magnéticos BF e a leucemia infantil.