INTERAÇÃO E COMUNICAÇÃO.

sábado, 30 de julho de 2011

Feitiçaria na Igreja?

Sinopse: O Novo Testamento adverte sobre a infiltração sorrateira de falsos mestres nas assembléias cristãs. Se a igreja primitiva pôde ser enganada pelo gnosticismo e outras crenças ocultistas — o que torna a igreja moderna imune a uma enganação como a bruxaria? Considerando-se a ignorância generalizada e as concepções errôneas acerca da bruxaria, uma discussão detalhada da bruxaria precisa ser feita como um pré-requisito em qualquer exame das infusões do ocultismo nas igrejas locais. A chave para compreender a moderna feitiçaria é entender o conceito da deusa-mãe. Uma vez que esse aspecto seja incorporado na equação, o bruxo moderno pode ser visto claramente como alguém que está envolvido em uma religião da natureza e em um culto de fertilidade em que toda a natureza é vista como divina, e a "Mãe Terra', ou "Gaia" é uma entidade viva que respira e que precisa ser adorada.

Existem muitos eventos na vida que parecem ser um total paradoxo, mas o simples sussurar que existe feitiçaria sendo praticada em uma assembléia "cristã" resulta imediatamente em protestos de descrença, de negação, ou até de horror abjeto. Isso se deve ao fato que as percepções da igreja (bem como a idéia que as pessoas fazem da feitiçaria) não permitem qualquer acomodação mental de uma síntese lógica entre a feitiçaria e o cristianismo genuíno. Além disso, a vasta maioria dos cristãos não reconheceria a feitiçaria mesmo se ela realmente existisse dentro de suas assembléias.
Entretanto, como afirmado no Capítulo 1, desde os primeiros dias da igreja cristã, o Novo Testamento revela que falsos mestres conseguiram se infiltrar clandestinamente nas assembléias cristãs e, se a igreja primitiva pôde ser enganada pelo gnosticismo e outras crenças ocultistas — o que torna a igreja moderna imune a uma enganação como a feitiçaria? Considerando-se a ignorância generalizada e as concepções errôneas acerca da bruxaria, uma discussão detalhada da bruxaria precisa ser feita como um pré-requisito em qualquer exame das infusões do ocultismo nas assembléias locais.


As Origens da Feitiçaria


A natureza não organizada da feitiçaria requer que as estimativas mais confiáveis dos números de indivíduos participantes originem-se de pesquisas realizadas por organizações dentro da 'arte'. Por mais que essas estatísticas possam ou não ser confiáveis, não existe dúvida do crescimento explosivo nas duas últimas décadas do número de indivíduos envolvidos em rituais pagãos, em práticas ocultistas, na feitiçaria em geral, e na Wicca em particular. Uma dessas pesquisas, realizada em julho de 1999 pelo Covenant of the Goddess (CoG) reportou o número de feiticeiros e pagãos nos EUA em aproximadamente 768.400. Essa pesquisa também informou que 65% dos aderentes estão na faixa etária dos 18 e 39 anos e que 71% são mulheres. [1] Apesar da crescente popularidade da feitiçaria, há muito debate e confusão não somente com relação às origens, mas também ao sistema de crenças particular que identifica um feiticeiro.
A Bíblia define um feiticeiro como um indivíduo que utiliza a magia para manipular os eventos, entrar em contato com os mortos, ou se aconselhar com "espíritos familiares". (Os espíritos familiares são conhecidos nos círculos de Nova Era hoje como 'espíritos-guia'.) Como a pesquisa mencionada anteriormente indicou, os feiticeiros modernos são um segmento da demografia mais ampla classificada geralmente como "pagãos" ou "neopagãos". Na sociedade pós-moderna atual, os pagãos e neopagãos são geralmente vistos como pessoas benignas, amantes da natureza no estilo dos hippies, e que gostam de abraçar as árvores. Entretanto, um estudo mais detalhado das práticas religiosas pagãs e ocultistas do passado não somente revela uma influência demoníaca ou satânica generalizada, mas também que a "magia negra" satânica permeia a antiga feitiçaria.
Por outro lado, os neopagãos insistem que a palavra pagão (um termo derivado do conceito de um habitante do interior, ou um rústico habitante de alguma água parada) foi um termo depreciativo cunhado pela Igreja de Roma na Idade Média para denegrir não somente aqueles que se rebelavam contra sua hierarquia eclesiástica, mas também como um modo de suprimir ainda mais as mulheres. Embora esse conceito possa estar baseado em certa verdade, qualquer tentativa da comunidade dos neopagãos de se apropriar dos conceitos do catolicismo usado pela igreja para fazer avançar sua própria agenda não constitui prova conclusiva de uma ausência de atividade demoníaca dentro do paganismo ou da feitiçaria. Essencialmente, essa posição revela uma concepção ingênua e errônea, ou então uma falta velada com a verdade.
Em conjunção com essa linha de raciocínio, a maioria dos feiticeiros modernos considera a feitiçaria uma religião da natureza panteísta ou politeísta, ostensivamente baseada em religiões pagãs mais antigas. Os neopagãos tentam reter os aspectos básicos do paganismo antigo, ao mesmo tempo em que descartam os elementos que não consideram mais plausíveis dessas religiões. Em outras palavras, a maioria dos feiticeiros e outros neopagãos modernos desenvolveu uma versão homogeneizada, desinfetada, e politicamente correta das antigas religiões que incorporavam práticas como o sacrifício de animais ou humanos, a bestialidade, a castração cerimonial, o canibalismo e a prostituição sagrada, que eram exigidos pelas deusas e seus consortes nos anos passados.
A chave para compreender a moderna feitiçaria é entender o conceito da deusa-mãe. Uma vez que esse aspecto seja incorporado na equação, o feiticeiro moderno é claramente visto como alguém que está envolvido em uma religião da natureza e em um culto de fertilidade em que toda a natureza é vista como divina, e a "Mãe Terra', ou "Gaia" é uma entidade viva que respira e que precisa ser adorada. Como revelado por Johanna Michaelsen em seu livro Like Lambs to the Slaughter:
"Alguns feiticeiros rastreiam suas tradições aos mitos dos antigos gregos e romanos; outros, aos egípcios, sumérios, aos deuses nórdicos dos vikings, ou aos antigos celtas. Outros ainda, misturam alegremente diversas tradições e fontes, incluindo partes da moderna ficção científica e da fantasia (Guerra nas Estrelas e a trilogia de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, estão entre as mais populares), para criar sua própria interpretação singular e seu conjunto de rituais." [2] [tradução nossa]
Margot Adler, feiticeira professa e feminista, em seu livro Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-Worshippers and Other Pagans in America Today, cita o feiticeiro de Dallas, Morgan McFarland:
"Eu me vejo como monoteísta por acreditar na Deusa, Creatrix, o Princípio Feminino, mas ao mesmo tempo reconhecendo que outros deuses e deusas existem por meio dela como manifestações dela, facetas do todo." [3] [tradução nossa]
Existem muitos perigos na busca dessa adoração neopagã e holística à deusa. Em primeiro lugar, a cosmovisão básica do neopagão, como visto na citação de Morgan McFarland, é o tipo de panteísmo chamado de panenteísmo — (esse aspecto será discutido posteriormente neste capítulo, mas McFarland incorretamente chama isso de monoteísmo.) Essa cosmovisão não somente levará a pessoa à rejeição mais profunda da Palavra de Deus e de Jesus Cristo como o Salvador do mundo, mas também à aceitação das "doutrinas de demônios" proclamadas pelos espíritos-guia contactados na adoração á deusa.
Ainda mais ominosa é a atração do lado abertamente satânico e tenebroso dessas filosofias. Embora qualquer adesão ao panteísmo sem posterior arrependimento condenará o aderente a uma eternidade no inferno, aderir ao "lado tenebroso" da filosofia ocultista com toda a probabilidade provará ser mortal não somente para o aderente, mas também para muitos com quem esse indivíduo vier a ter contato. Exemplos desses indivíduos que se entregaram totalmente ao lado das trevas (além de Darth Vader, de Guerra nas Estrelas), incluem o cientista dos foguetes Jack Parsons (que afirmava ser o Anticristo), Aleister Crowley (conhecido durante sua vida como o homem mais maligno do mundo), Albert Pike, Adolf Hitler, e o infame Charles Manson.


A Evolução do Feiticeiro Moderno


As linhas de argumento estão então definidas. Se um neopagão na religião Wicca afirma não ter relacionamento com Lúcifer, insiste que realmente não existe o Diabo, e crê na deusa-mãe — esse indivíduo é um feiticeiro, ou não? Além disso, aqueles que afirmavam serem feiticeiros no passado realmente professavam ou pareciam que adoravam a Lúcifer? A verdade da matéria pode ser descoberta facilmente. A religião da feitiçaria progrediu de sua posição mais antiga de lançar encantamentos, atacar utilizando forças paranormais, realizar sacrifícios de animais, realizar sacrifícios humanos, ou até a adoração a Lúcifer para uma feitiçaria mais gentil, civilizada e politicamente correta — exatamente como as igrejas protestantes tradicionais e liberais foram moldadas pela cultura moderna. O estudo da evolução da feitiçaria é muito esclarecedor.
O consenso moderno de uma feiticeira foi lançado em 1484 com a publicação de O Martelo das Feiticeiras, um livro escrito por dois monges dominicanos que pertenciam à Inquisição. De acordo com essa publicação, a bruxaria é uma heresia que conspira para derrubar a Igreja de Roma e estabelecer o reinado de Satanás na Terra. "Por sua própria confissão, elas (as bruxas) voavam montadas em cavalos demoníacos ou em vassouras, festejavam, dançavam, e copulavam entre si, com seus espíritos familiares, e algumas vezes com o próprio diabo... as bruxas faziam um pacto formal com o diabo." [4] [tradução nossa]
Essa percepção da feitiçaria chegou ao Novo Mundo e foi sucintamente registrada por testemunhas oculares nos "Julgamentos das Bruxarias de Salém", em 1692, na Nova Inglaterra. Em resumo, os testemunhos diante do tribunal revelaram diversos fatos:
  • Muitos dos que foram julgados, condenados e mortos pelo crime de bruxaria eram vítimas inocentes.
  • Entretanto, a evidência revela que todos certamente não eram inocentes, e há uma indisputável evidência de crimes, inclusive homicídios que envolviam a manipulação de forças paranormais.
  • A Confissão de William Barker nos Julgamentos de Salem afirmou que existiam 307 feiticeiros espalhados por toda a Nova Inglaterra, e que eles estavam envolvidos em um plano para substituir o cristianismo no Novo Mundo pela adoração ao diabo. [5]
Entretanto, a feitiçaria de Salem e da Europa pré-colonial não é igual à versão moderna e desinfetada da feitiçaria popular do século 21, publicamente exibida como Wicca. Os wiccanos geralmente apontam para os anos 1940 e atribuem a Gerald Gardner a criação de sua variedade de feitiçaria, e afirmam que essa é a verdadeira e antiga feitiçaria de todas as épocas. Na verdade, Gardner começou a estudar e escrever sobre rituais de feitiçaria dos tempos antigos e pegou pedaços daquilo que descobriu para formular o que muitos hoje chamam de Wicca. [6] No entanto, a maioria dos wiccanos desconhece totalmente o fato que muitos dos rituais de Gardner foram na verdade escritos por ninguém menos que o notório satanista praticante de "magia negra" Aleister Crowley, após Gardner ter sido iniciado na Ordem dos Templários do Oriente, de Crowley. [7]
Paradoxalmente, a grande maioria dos wiccanos insistirá que eles não acreditam em Satanás ou em um Diabo, mas que adoram a deusa-mãe, conforme revelada na natureza. A maioria adere a um estilo de religião de "Guerra nas Estrelas", que determina a unicidade, a interconexão, a imanência, e a comunidade como os aspectos da deusa (isso tudo será discutido posteriormente.) [8] Como eles (e tudo o mais) são um com a deusa, e manifestações dela, tentam ir para dentro de si mesmos e descobrir a deusa interior — e, assim, atingem seu pleno potencial humano.
Em outra contradição, a maioria dos wiccanos afirma que o consorte da deusa é o místico deus Pã. (A maioria das religiões pagãs e neopagãs adora ou reconhece a existência de muitos deuses como manifestação da deusa.) Pã é revelado na mitologia como metade homem e metade bode, e com chifres; ou até mesmo é retratado como um sátiro — o torso de um homem e a parte inferior do corpo de um cavalo. Pã é o deus do mundo dos mortos, o senhor das florestas, o "deus da caça". A descrição de Pã é equivalente a de Osíris nos mistérios egípcios, Baco nos mistérios babilônios, Baal, famoso no Antigo Testamento, e pode ser rastreado diretamente a Ninrode, que a Bíblia descreve como "poderoso caçador diante da face do SENHOR" [9] e construtor da Torre de Babel. David Livingstone registra:
"Nos tempos medievais, o diabo era conhecido como o Bode de Mendes... De acordo com (os mistérios egípcios e documentados por — editor) Plutarco, após Set ter desmembrado o corpo de Osíris, o pênis dele nunca foi encontrado, e Ísis fez uma réplica em ouro e o enterrou em Mendes, onde havia um templo ao deus-bode. Plutarco observou que a maioria dos feiticeiros admitia o reconhecimento de Pã como consorte da deusa, essa é uma admissão (seja percebida ou não) das origens satânicas de uma religião que paradoxal e enfaticamente nega a existência de Lúcifer." [tradução nossa]
Quando levado às suas conclusões lógicas, é preciso questionar sensatamente a correlação entre a deusa-mãe e Lúcifer. Se a deusa-mãe tem Pã como consorte, seria Pã simplesmente outra manifestação do próprio Lúcifer? Além disso, se Pã é simplesmente uma manifestação da deusa, isso também não torna a deusa a personificação do próprio Lúcifer?
Onde então a adoração à deusa-mãe se originou? A Bíblia registra no Antigo Testamento a adoração à Astarote, Astarte, Ísis, a "rainha do céu", e outras variações femininas de adoração a uma deusa. A realidade é que a feitiçaria moderna teve sua origem na Torre de Babel e a infusão da adoração à deusa-mãe e os cultos da mãe e da criança evidenciado nas religiões do mundo nos últimos 4.500 anos foram concebidos nos mistérios babilônios, que tiveram sua origem com a viúva de Ninrode, Semíramis, e "o filho da viúva", Tamuz.
Variações e cultos derivados da adoração à deusa e das religiões de mistério influenciaram até o judaísmo. Os judeus foram influenciados pelo ocultismo quando desenvolveram uma "interpretação oral mística" do Antigo Testamento, conhecida como Cabala:
"Embora seja falsamente afirmado que data de algum tempo antes do dilúvio, o sistema da Cabala representava a apropriação de doutrinas estrangeiras no judaísmo, adotadas pelos judeus na grande e antiga cidade de Babilônia, quando estiveram em cativeiro ali na parte inicial do sexto século AC." [11]
A Cabala está entre os ancestrais diretos do gnosticismo e, com os avanços dos mouros para a Europa no século IX, cultos mágicos e místicos que entraram no sul da Europa trouxeram consigo um dualismo gnóstico que levava diretamente à adoração a Lúcifer. [12] De acordo com David Livingstone:
"Eles adoravam Lúcifer, considerando o mundo material como sua obra, e afirmando que com a indulgência nos prazeres carnais, estavam acomodando seu demônio-criador. Dizia-se que um gato preto era visto em suas cerimônias como um objeto de adoração... em suas orgias noturnas, sacrifícios de crianças eram realizados e o sangue delas era usado para fabricar o pão de eucaristia da seita." [13]


Magia Branca Versus Magia Negra


Destarte, a feitiçaria, com sua origem na Torre de Babel, evoluiu da adoração aberta a Lúcifer para a versão desinfetada moderna da arte — a Wicca. Entretanto, como um espectro medonho e assombrado, a questão subjacente na Wicca e em outros sistemas de crença de "magia branca" neopagãos é a questão da adoração incorporada do próprio Lúcifer escondido sob a fachada caiada da deusa-mãe. O falecido Anton LaVey, fundador e autodesignado sumo sacerdote da Igreja de Satanás, em San Francisco, tinha uma visão muito dogmática sobre essa questão. Em seu livro, The Satanic Witch, ele escreveu:
"Qualquer menina ou mulher (LaVey defendia a posição que somente mulheres podiam ser feiticeiras — editor) que afirma praticar somente 'Wicca' ou 'magia branca' está ou brincando com si mesma ou ainda tem muito a aprender." [14] [tradução nossa]
Em suporte a essa posição, este autor recebeu uma mensagem pessoal de correio eletrônico que continha a seguinte afirmação:
"Muitos feiticeiros nem mesmo acreditam na existência de um Satanás de qualquer tipo. Para mim pessoalmente — Satanás é meu senhor e meu pai — estou no campo dos feiticeiros satânicos!!! Somos a favor da emancipação de toda a raça humana dos saques de um deus judaico assassino — que não existe como tal, mas é meramente a histeria das massas de cristãos temerosos que estão perpetuando sua própria realidade e as profecias na sua própria humanidade e no seu mundo. São as ações e ensinos do cristianismo que atravancam o crescente desenvolvimento do mundo. Isso acabará em breve."
"Todos acordarão para a luz interior dentro de pouco tempo!!!" [15]
À luz da história e das afirmações acima, este autor precisa concordar (por mais doloroso que seja) com a posição de LaVey. A natureza enganosa de Lúcifer é evidenciada pelo próprio fato de que esses indivíduos que acreditam que estão buscando a deusa interior estão na realidade servindo ao "deus deste século" — o próprio Lúcifer.


A Deusa-Mãe e a Igreja


Agora que uma linha de base foi estabelecida com relação à posição da feitiçaria moderna, a questão que precisa ser enfocada é sua infusão na igreja. À medida que esse assunto for tratado, vários pré-requisitos e negações de associação ou de responsabilidade precisam ser declarados:
  • Ao falar da igreja, este manuscrito refere-se somente àqueles que professam salvação pela fé no sangue purificador de Jesus Cristo — não àqueles no arraial Modernista que têm apenas uma fachada de cristianismo.
  • Todas as discussões excluem o catolicismo romano, que é em si mesmo um bastião do paganismo de magia branca.
  • Este autor não está necessariamente acusando nenhum indivíduo de envolvimento na prática da feitiçaria, exceto quando isso for afirmado de forma direta.
  • A intenção desta discussão é colocar em questão aqueles que, sabidamente ou não, estão inserindo terminologias e doutrinas de demônios na psiquê daqueles que não somente professam o cristianismo, mas também daqueles que estão sendo evangelizados.
  • Este capítulo discutirá especificamente aspectos da adoração à deusa que estão se infiltrando na igreja. Outras influências ocultistas, como a Nova Era e a Teosofia serão discutidas em capítulos posteriores.
Agora que o assunto da feitiçaria foi tratado, o relacionamento da feitiçaria com a religião da deusa precisa ser examinado em detalhes. Novamente, Margot Adler fornece as informações básicas necessárias para compreendermos o relacionamento dos feiticeiros com a deusa-mãe.
"Os feiticeiros se consideram sacerdotes e sacerdotisas de uma antiga religião européia xamanista e da natureza que adora uma deusa e que está relacionada com a deusa-mãe em seus três aspectos de donzela, mãe e anciã. Muitos também adoram um deus relacionado com o antigo senhor cornífero dos animais, o deus da caça, o deus da morte, e o senhor das florestas." [16] [tradução nossa]
Essa descrição é inegavelmente uma imagem-espelho da versão moderna e desinfetada da feitiçaria como descrita anteriormente neste manuscrito — uma religião panteísta da natureza, ostensivamente baseada em antigas religiões pagãs. Starhawk (um feiticeiro declarado), em seu livro The Spiral Dance, define claramente os três princípios centrais da religião da deusa:
  • Imanência — Cada ser humano é uma manifestação da terra viva.
  • Interconexão — Todos estão ligados ao cosmos como parte de um organismo vivo.
  • Comunidade — O enfoque principal não está no indivíduo, mas no grupo. [17]
A imanência e a interconexão serão discutidas no restante deste capítulo. Todo o próximo capítulo, porém, estará dedicado à discussão de "comunidade".


Feitiçaria, Imanência, Panteísmo e Panenteísmo


O capítulo anterior discutiu a infusão de filosofias panteístas na igreja: A discussão estava centrada na afirmação de Rick Warren em seu livro Uma Vida com Propósitos: "Deus está em todos os lugares e em todas as coisas." Para reiterar o diagnóstico feito no Capítulo 1, ao mesmo tempo em que a afirmação do pastor Warren não contribui para a sã doutrina bíblica, ela reflete uma forma de panteísmo.
Fazendo uma revisão, a filosofia panteísta ensina que "tudo é deus". Essa é a doutrina do panteísta radical. Por exemplo, ao beber um copo de leite, o panteísta radical pode afirmar que "deus" está bebendo "deus" em um recipiente de vidro que também é "deus". A razão é que esse indivíduo acredita que um objeto é tanto "deus" quanto o outro, seja inanimado ou vivo. Entretanto, o ensino da feitiçaria não é o do panteísmo radical, pois a feitiçaria ensina que há uma deusa-mãe transcendente que existe acima de todos, como a força energética que guia o universo. Além disso, esse ensino diz que todas as coisas — sejam vivas ou inanimadas — são manifestações da deusa-mãe, e a deusa-mãe habita nelas. Esse sistema de crença está mais próximo de uma forma de panteísmo conhecida como panenteísmo. Laurie Cabot, a "Bruxa Oficial do Estado de Massachusetts", confirma isso em seu livro Power of the Witch:
"... os feiticeiros acreditam em sua unicidade com a fonte de toda a vida, a Grande Mãe, e na posição deles como co-criadores do universo." [18] [tradução nossa]
O panenteísmo diz simplesmente que existe um deus transcendente (ou deusa, ou força energética) que governa acima de tudo e habita em tudo. O panenteísmo basicamente aumenta o panteísmo radical até o ponto que há o reconhecimento de uma força que transcende acima de toda a criação. Em outras palavras, o panenteísmo permite uma divindade que é mais "deus" que tudo o mais no universo, embora o equilíbrio do universo seja uma manifestação e seja habitado por essa mesma "força" conhecida como "deus". Além disso, a maior parte das religiões pagãs ensina que os adeptos individuais podem ascender até o ponto de se tornarem "totalmente um" com "a força", ou a deusa-mãe.
Como um exemplo adicional, Deus (o verdadeiro Deus) é transcendente e onipresente, mas não é totalmente imanente. Deus é santo. Deus transcende acima de toda a Sua criação. Além disso, Ele é onipresente — está sempre presente, mas de uma forma transcendente. Entretanto, Ele não habita em toda a Sua criação. Deus é imanente somente no sentido em que habita naqueles, e somente naqueles, que aceitam pela fé o sacrifício cruento de Seu Filho unigênito, Jesus Cristo. A Bíblia ensina que toda a criação manifesta (ou revela) a glória, a majestade e o poder do Criador, mas não ensina um princípio panenteísta que Deus é transcendente sobre a criação e que habita em toda a criação. A religião da deusa difere da adoração ao verdadeiro Deus no sentido que a deusa-mãe, embora verdadeiramente transcendente, também é totalmente imanente dentro de toda a natureza.
Tudo isso torna a tradução de Efésios 4:6 na New Century Version, citada pelo pastor Rick Warren mais próxima da doutrina da feitiçaria do que do panteísmo radical ou do verdadeiro cristianismo. Tudo o que difere entre a feitiçaria e a tradução New Century, "Ele comanda todas as coisas, está em todos os lugares e em todas as coisas", é o gênero do pronome. Se o "Ele" for substituído por "Ela", o resultado será uma descrição perfeita da deusa-mãe transcendente.
A situação atual no Movimento da Igreja Orientada por Propósitos é bem paradoxal. Teria Charles Spurgeon (para escolher de forma totalmente aleatória o nome de um pastor batista famoso) alguma vez imaginado que um pastor batista conservador incluiria Imanência como sendo a presença de Deus em todas as coisas? Teria Starkawk, o bruxo que acredita que todos os indivíduos são manifestações da deusa-mãe algum dia imaginado que um pastor batista sulista conservador implicaria o mesmo do Deus da Bíblia? (Por que, se Deus está "em" todas as coisas, como diz a tradução New Century Version, e como o Dr. Warren afirma, não está toda a humanidade incluída nesses "todas as coisas"?) Poderia alguém ter previsto esse cenário? Para a maioria dos cristãos genuínos e enraizados na Bíblia — nem em seus piores pesadelos eles teriam imaginado tal afastamento da Palavra de Deus, que abre a porta para os ensinos da feitiçaria na igreja.


Interconexão


Se um indivíduo envolvido no "ocultismo" ou na feitiçaria é um panteísta radical ou panenteísta, existem muitos denominadores comuns nesses sistemas de crenças. Um desses principais componentes é a crença na interconexão. Starkawk definiu a visão de interconexão dos feiticeiros com a declaração: "Estamos todos vinculados ao cosmos como parte de um organismo vivo." [19] Como mencionado anteriormente, os indivíduos envolvidos na feitiçaria dirão que todas as coisas, animadas ou inanimadas, são manifestações da deusa-mãe, a força da vida do universo. Como um panenteísta, o feiticeiro crê que tudo é controlado e dirigido pela deusa, em vez de deixado para o acaso. Esse fato, entretanto, não restringe aqueles que estão envolvidos na feitiçaria das teorias evolucionistas. Dito de forma bem simples, a visão deles da evolução é uma variação da evolução teísta, pois acreditam que a deusa-mãe, embora ela mesma seja um produto da evolução, controla a direção do ímpeto evolucionário percebido.
Na verdade, toda a base da visão ocultista da interconexão está baseada no conceito mal colocado de um "Big Bang" primordial. Uma vez que a pessoa considera o curso lógico do Big Bang, por mais ilógica que toda a teoria possa ser, o conceito de interconexão é uma conclusão que faz sentido. O processo nessa linha de raciocínio procederia da idéia que, de acordo com o Big Bang, todo o universo foi formado a partir de uma massa de matéria muito pequena e muito densa. Agora, se tudo, e teoricamente todos, estão ancestralmente unidos e contidos nessa massa minúscula (a maioria defende a opinião que ela tinha aproximadamente o tamanho de um ponto nesta página), então toda a humanidade e tudo o mais no universo originou-se desse ancestral comum e extremamente antigo. Se isso fosse realmente o caso, todo indivíduo teria uma interconexão fisiológica e até psicológica com todos os demais, e com tudo o mais.
Levando esse princípio ao próximo nível, tal sistema de crença conclui logicamente que todo o conhecimento do universo está adormecido dentro de cada indivíduo e a única questão que resta para humanidade é acessar esse conhecimento. A crença na deusa-mãe simplesmente leva à teoria do Big Bang e diz que a deusa é a própria força da vida que evoluiu do Big Bang, e controla toda a natureza manifestando-se nela. Como resultado, tudo é um, tudo está interconectado, tudo é uma manifestação da deusa-mãe, tudo é digno de adoração e, a propósito, tudo ainda está em evolução.
O panteísta radical terá basicamente o mesmo conceito da evolução do homem que tem o panenteísta, mas o panteísta radical não aceita uma figura transcendente, como a deusa-mãe. O panteísta radical simplesmente adotará a visão que "se todo o conhecimento do universo está contido dentro de mim, então eu sou Deus. Entretanto, não sou Deus sozinho, mas tudo o mais no universo também é Deus, e o ímpeto evolucionista impessoal eventualmente trará todo ser humano até o próximo nível de evolução, o homo noeticus. Nesse estágio final da evolução do ser humano, toda a humanidade não somente perceberá que é Deus, mas que também possui poderes como os de Deus."


Interconexão e Globalismo


Com base nesta discussão, não é absolutamente surpresa que muitos dos líderes dos movimentos no século 20 que promoveram (e ainda promovem) a mística e algumas vezes ostracizada Nova Ordem Mundial são ocultistas bem conhecidos. Seria impossível elaborar uma lista completa, mas alguns dos nomes mais reconhecidos incluem:
  • Aleister Crowley, organizador da Ordem dos Templários do Oriente (OTO) e conhecido como o homem mais maligno do mundo.
  • H. G. Wells, autor de A Máquina do Tempo e A Guerra dos Mundos.
  • Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo.
  • Alice Bailey, líder da Sociedade Teosófica e fundadora da Lucis Trust.
  • Adolf Hitler, que tentou implementar a ocultista Nova Ordem Mundial na marra.
  • L. Ron Hubbard, autor de Dianética e fundador da Cientologia.
  • Marilyn Ferguson, autora de A Conspiração de Aquário.
  • Willis Harman, autor de Global Mind Change, e Insight to the New Age.
  • Ervin Lazlo, autor de The Systems View of the World: A Holistic Vision for Our Time.
  • Maurice Strong, ex-assessor sênior da ONU e organizador do Encontro da Terra de 1992.
  • Jean Houston, especialista em Potencial Humano e médium particular da ex-primeira-dama e atual senadora americana Hillary Clinton.
Todos os indivíduos nessa lista fizeram grandes contribuições para a transição de todo o sistema para uma sociedade planetária. Essa sociedade substituirá os valores judaico-cristãos por valores pagãos pré-cristãos, estabelecerá um governo mundial, estabelecerá uma religião mundial e instalará um governante mundial. Portanto, o que há de errado com esse sistema mundial?
Rastreando novamente os passos da humanidade na Torre de Babel, o próprio Deus separou os homens modificando a linguagem e instituindo assim o conceito de estado-nação. Os esforços humanos ao longo da história para construir um império mundial sempre foram acompanhados por uma falsa religião e por rebelião contra Deus. Exemplos perfeitos desses impérios mundiais incluem o Império Babilônio, o Império Medo-Persa, o Império Grego e o Império Romano. Com cada um desses impérios tinha um sistema religioso falso que incorporava princípios ocultistas ainda evidenciados no mundo hoje. Além disso, a Bíblia ensina de forma bem clara que há mais um império mundial no futuro da humanidade. O império mundial final marcará o fim desta época, e será governado por ninguém menos que o próprio Anticristo — o homem cujo reinado sofrerá a derrota final pelas mãos do próprio Jesus Cristo em Sua segunda vinda. Além disso, o Anticristo se tornará um rei-sacerdote, governando não somente o reino global, mas também uma religião ocultista global.
A chave para o estabelecimento dessa Nova Ordem Mundial é a interconexão. Como sucintamente definido pela ocultista Jean Houston:
"Fazer uma diferença nunca foi mais crítico em um mundo em que tanto pode dar certo ou dar desastrosamente errado. Somos aqueles que têm a mais profunda tarefa em toda a história humana — a tarefa de decidir se cresceremos ou se morreremos. Temos uma oportunidade para exercer um papel no drama da maior transição que o mundo já viu. Para isso, precisamos nos tornar capazes de acessar as profundezas do corpo, da mente e do espírito, que talvez tenhamos esquecido que tínhamos... A atual ecologia emergente de mentes e psiquês, nossa disponibilidade de uns para com os outros, nossa capacidade de sonhar os sonhos uns dos outros e de experimentar as biografias uns dos outros é parte do encontro das ondas do tempo, da psiquê, e da memória atuais. Estamos crescendo em uma escala de proporções planetárias, à medida que nos tornamos ressonantes e íntimos com nossas próprias profundidades." [ênfase adicionada]
"Presenciamos neste novo século a chegada de uma sociedade planetária que anuncia o fim das inimizades antigas e o nascimento de novos modos de usar nossa humanidade comum e suas várias culturas. Na verdade, precisaremos de uma união dos potenciais de todo o gênero humano e o gênio particular de cada cultura para que possamos sobreviver ao nosso tempo." [20; ênfase adicionada; tradução nossa]
Em outras palavras, para que o gênero humano sobreviva e continue a evoluir para o próximo nível de evolução, é necessário que cada indivíduo busque a deusa dentro de si e interconecte-se com os sonhos, psiquês e memórias dos outros indivíduos, de modo a solidificar a realidade de uma nova sociedade global.
Assim, a interconexão é a essência do globalismo — uma sociedade planetária baseada em princípios ocultistas e, finalmente, na adoração a Lúcifer. A Bíblia diz expressamente: "E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder" [21] A Besta será o servo de Lúcifer, o Anticristo (que será possesso pelo próprio Lúcifer) e que liderará o ato supremo e final de rebelião ao Deus Todo-Poderoso.
Portanto, qualquer referência à Nova Ordem Mundial está intrinsecamente, se não abertamente, ligada à feitiçaria moderna e à adoração à deusa-mãe. Exatamente como Starhawk declarou que o princípio da interconexão significa a conexão de todo o gênero humano, de uma pessoa para com as outras, bem como ao cosmos, como um dogma importante da adoração à deusa, é também o ímpeto subjacente em direção à Nova Ordem Mundial e ao reinado final do Anticristo.


O Cristão de Classe Mundial de Rick Warren


O Capítulo 38 do livro Uma Vida com Propósitos, de Rick Warren, intitula-se: "Tornando-se um Cristão de Primeira Classe". (NT: A tradução literal seria 'Cristão de Classe Mundial'). O capítulo está baseado no cumprimento da Grande Comissão — a ordem de Cristo para irmos por todo o mundo e anunciarmos o evangelho. O autor deste manuscrito concorda plenamente com a premissa e, além disso, concorda com o pastor Warren que a igreja falhou miseravelmente em obedecer a essa ordem. Todo cristão não somente tem o encargo de alcançar cada indivíduo perdido em todo o mundo, mas cada cristão individual deveria estar cumprindo essa comissão de qualquer maneira que o Senhor lhe dá a capacidade de cumpri-la.
Entretanto, existem alguns aspectos perturbadores no apelo do pastor Rick Warren a "ir por todo o mundo". Essas preocupações estão delineadas a seguir.
  • Como um pré-requisito, no Capítulo 36 de Uma Vida com Propósitos, o pastor Warren diz aos seus leitores e àqueles que estão usando o livro como um guia de estudo devocional que Jesus instruiu seus discípulos a não se preocuparem com o Seu retorno, mas a se concentrarem em sua missão, ou seja, na Grande Comissão. Ele também desencoraja o estudo da profecia bíblica tirando as palavras de Jesus do contexto, quando diz, "Se você quer que Jesus volte o mais rápido possível, concentre-se em cumprir sua missão, e não em desvendar a profecia." [22]
À luz das discussões aqui, existem várias questões com as afirmações do pastor Warren que precisam ser tratadas como um pré-requisito para a conclusão final:
  1. Um terço da Bíblia é formado por escrituras proféticas. Devem os cristãos arrancar essas páginas da Bíblia? A Bíblia deste autor diz: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça. Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." [23] Na visão do pastor Warren, deveria a frase "Exceto aquelas passagens que se referem à profecia bíblica" ser acrescentada a esses versos?
  2. A Bíblia é o único livro sagrado de todas as grandes religiões do mundo que se atreve a predizer o futuro. Além disso, não somente se atreve a predizer — mas faz isso com uma precisão de 100%. Por esse único fato, o estudo da profecia bíblica prova ao estudante da Palavra de Deus que Deus é realmente o único Deus verdadeiro. Desconsiderar a profecia bíblica é desconsiderar a onisciência e a onipotência de Deus.
  3. Ainda mais significativo em relação a esse estudo é que uma ignorância da profecia bíblica resulta em uma ignorância dos perigos do globalismo, a assim-chamada Nova Ordem Mundial, e os movimentos abertos em direção a uma religião global.
A conclusão é que um indivíduo não pode reconhecer o erro se for ignorante da verdade. Preocupações com as terminologias e táticas de marketing que são consistentes com as terminologias e ensinos da feitiçaria ou a adoração da deusa passarão sem serem observadas se a pessoa não tiver compreensão da verdade de "todo o conselho de Deus". Esse cenário exato será claramente o caso quando se considera outros aspectos de Uma Vida com Propósitos.
  • O segundo subtítulo usado no Capítulo 38, "Tornando-se um Cristão de Primeira Classe", é: "Deixe de raciocinar de forma restrita e raciocine de forma global." Essa linda frase é muito semelhante ao slogan popular dos ambientalistas radicais: "Atue localmente, pense globalmente." e tende a estruturar o processo mental do "cristão de primeira classe" de Rick Warren ao longo dessas mesmas linhas.
  • A próxima frase diz, "Deus é um Deus global." É lógico que Deus é um Deus global; Ele é onipresente e onipotente. Entretanto, sem instrução correta em profecia bíblica e sem reconhecer os perigos dos programas, dos indivíduos e das organizações globalistas, essa afirmação tem o potencial de levar o neófito a apoiar programas como o Encontro da Terra, a Carta da Terra, Homem e a Biosfera, etc. — simplesmente por que "Deus é um Deus global."
  • Rick Warren então diz que "grande parte do mundo já pensa de forma global". Sim, especialmente aqueles que estão trabalhando em prol de um governo mundial, de uma religião mundial e aqueles que aderem a uma cosmovisão panteísta neopagã. Devem os cristãos aderir a eles?
Por mais perigosas que sejam essas declarações, logo em seguida Rick Warren diz: "Nossa vida e a vida de pessoas em outras nações se tornam cada vez mais entrelaçadas." [23] Agora, é absolutamente verdadeiro que os cristãos genuínos estão interconectados entre si como membros do "Corpo de Cristo" por meio do vínculo do Espírito Santo de Deus. Entretanto, não é nesse contexto que o Rick Warren fez essa afirmação. Ele diz isso ao falar do comércio mundial e do número de países em que nossas roupas são fabricadas. A ocultista Jean Houston, em sua palestra de 1989, Whole System Transition: The Move to a Planetary Society (A Transição de Todo o Sistema: A Mudança Para uma Sociedade Planetária), fez exatamente a mesma analogia ao explicar que todos os indivíduos são "seres mundiais" interconectados.
Jean Houston adora a deusa-mãe. Ela adere aos aspectos da deusa delineados por Starkawk: Imanência, Interconexão e Comunidade. Este manuscrito detalhou que a feitiçaria moderna vê a si mesma como a religião da deusa-mãe. Jean Houston não teria dificuldades para se identificar com a feitiçaria moderna, ou com a Wicca, mas e um pastor batista "conservador"? Qual seria o motivo para um pastor introduzir a feitiçaria na igreja? Esse indivíduo teria dificuldades em se identificar com a feitiçaria? Pode-se esperar que esse indivíduo tenha muita dificuldade com essa identificação; porém, no capítulo anterior, este manuscrito demonstrou que o livro de Rick Warren promove uma forma ocultista de imanência e agora ele fala em interconexão. Certamente, isso deve ser apenas uma coincidência — ou será que não?
Para que não haja qualquer mal-entendido, este autor não está acusando Rick Warren de praticar ou de sabidamente promover feitiçaria na igreja. Entretanto, à medida que as coincidências (se elas são realmente coincidências) continuam a se acumular, é preciso questionar a verdadeira direção (bem como a fonte) dos métodos e ensinos de Rick Warren e dos milhares de pastores que estão em busca de crescimento e sucesso da Igreja com Propósitos. Embora uma avaliação final não possa ser feita neste ponto, é preciso concluir que existem realmente problemas sérios em um movimento religioso que afirma abertamente ser o cumprimento da Grande Comissão, quando na realidade o que está fazendo é reconstruir a Torre de Babel.


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