terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A Cosmovisão Judaico-Cristã e a Economia

Forcing Change, Volume 8, Edição 6.














Já faz algum tempo que a Forcing Change dedicou uma edição inteira às questões econômicas. Hoje, quando o Oriente Médio está implodindo, os governos estão paralisados pelas disputas políticas e a moralidade da sociedade ocidental parece estar mudando irreversivelmente, o assunto da economia pode ser facilmente negligenciado — especialmente quando uma "recuperação econômica" é anunciada pelos altos escalões do governo. Entretanto, as realidades econômicas são um reflexo da cosmovisão geral de uma sociedade e os problemas estão em fase de fermentação: a dívida pública está aumentando, as dúvidas sobre a estabilidade do dólar americano se acumulam e vozes enérgicas estão propondo "intervenção do governo" e "distribuição da riqueza". Portanto, é importante considerar a situação econômica e como as diferentes cosmovisões moldam as ideias a respeito da propriedade privada, do dinheiro e do governo.
Nota: Os artigos nesta edição refletem a situação econômica estadunidense, porém as questões tratadas impactam todos os países ocidentais.

A Cosmovisão Judaico-Cristã e a Economia

Autor: Brad Hughes
Nota do Editor: Brad Hughes é um pesquisador sobre Cosmovisões e Economia no Centennianal Institute, no estado do Colorado. Ele tem uma ampla experiência no setor das telecomunicações e ocupou cargos de chefia em diversas organizações empresariais e não-lucrativas. Ele possui cinco graduações acadêmicas e está envolvido em estudos avançados sobre economia, apologética e cosmovisões.
Este ensaio "A Cosmovisão Judaico-Cristã e a Economia" examina criticamente a questão de qual sistema econômico reflete melhor a cosmovisão bíblica.
Você pode ler mais sobre o trabalho dele em http://www.ccu.edu/centennial/blog/post/author/bradhughes.

O Socialismo incorpora um desejo pelo poder com base na enganação dos homens. O capitalismo incorpora uma cobiça por riquezas com base no serviço aos homens. Esses dois sistemas opostos reservam promessas de bênçãos ou de maldições para a nação que os adota. É o imperativo da ética, mais do que o indicativo de moralidade (o que é praticado), que eleva o destino de um país. Um país não pode receber o bem se ele próprio não for bom.
Uma cosmovisão cristã com relação à economia é essencial para que este país consiga recuperar sua dilapidada liderança econômica no mundo. A cosmovisão cristã da economia tem como fundamento o fato que o homem nasce pecador (Efésios 2:3), não prospera pela injustiça (Efésios 4:28), deve trabalhar (2 Tessalonicenses 3:10), não deve depender de ninguém (1 Tessalonicenses 5:11-12), respeita a propriedade privada (Êxodo 30:15), que o endividamento cria a servidão (Provérbios 22:7), e que a justiça pode produzir a abundância (Provérbios 16:8).
A cosmovisão cristã também eleva o poder da liberdade. A Bíblia defende a liberdade de escolher (1 Coríntios 6:12), que Deus nos criou livres (João 8:36), que a liberdade requer moralidade (Salmos 119:45), que onde quer que Deus seja honrado sempre haverá liberdade (2 Coríntios 3:17), que a verdadeira liberdade está baseada no amor (Gálatas 5:13), que a liberdade requer discernimento (1 Coríntios 8:9), e que a verdade nos libertará (João 8:32).
Muitos cristãos notáveis foram ou ainda são simpáticos aos preceitos do Socialismo, incluindo Nelson Mandela, Reinhold Niebuhr, Jim Wallis, Tony Campolo, etc. Eles acreditam que a Bíblia prescreve o Socialismo no Novo Testamento, em Atos 2:44-45 e Atos 4:32-35, e que a justiça social (redistribuição da propriedade privada) é ordenada no Antigo Testamento (Levítico 19:13,18, Deuteronômio 10:18-19, 24:19-22, Salmos 82:3-4, Salmos 112:1,9 e Isaías 1:15-17).
Esta visão representa um erro muito grande em hermenêutica. É um erro, pois os exemplos apresentados no Novo Testamento (no livro de Atos) são caracterizados pela decisão e vontade individual de compartilhar a propriedade privada. A passagem mostra explicitamente que a propriedade compartilhada era de posse privada (totalmente ao contrário do modelo de Socialismo de propriedade do Estado) e que a redistribuição não é compulsória (também totalmente ao contrário do que acontece no Socialismo controlado pelo Estado). Finalmente, o inventário e a distribuição dos bens foram efetuados pelos apóstolos e diáconos (setor privado), não pelo Estado. Este é um exemplo da igreja presente no centro da ação.
Esta visão também falha com relação ao Antigo Testamento, pois uma exegese cuidadosa dos textos confirma o desejo de Deus de mostrar compaixão e misericórdia pelos pobres e oprimidos, mas não diz que o governo deva estabelecer uma ação corretiva pela via do confisco da propriedade para a redistribuição.
O Antigo Testamento deseja uma mudança dentro do coração do indivíduo para que ele mostre amor e preocupação pelo próximo. É risível sugerir que Deus sancione a força e a coerção para mostrar amor e misericórdia. Isto seria contrário ao Seu caráter e contrário à doutrina da graça. É uma hermenêutica deficiente sugerir que Deus ensina o Socialismo. A Bíblia ensina a caridade, um ato de vontade do coração, não a redistribuição, que é um ato compulsório executado pelo Estado.
O Socialismo está fundamentado no ateísmo; portanto ele não propõe a fundação de igrejas, mas somente o Estado. Além disso, o Socialismo não propõe a ação livre dos indivíduos, mas a força compulsória para obter seus desejos. O Socialismo é uma criação do homem e para o homem, para determinar quais benefícos um homem recebe de outro homem. Não há previsão para Deus em um Estado socialista. É claro que os teólogos liberais que citam as passagens bíblicas referidas anteriormente como suporte para o Socialismo não têm ideia sobre o que estão falando. Não há apoio bíblico algum para o Socialismo administrado pelo Estado. Aqueles que tentam torcer as Escrituras para apoiar o Socialismo não compreendem a verdade da Palavra de Deus e nem como este mundo opera. É uma enganação. Um texto tirado do seu contexto é um pretexto.
Similarmente, teólogos liberais, como Wallis e Compolo, citam a "justiça social" como suporte para o Socialismo. Eles frequentemente citam o relato bíblico do Ano do Jubileu como um exemplo. "O exame cuidadoso das regulamentações para o Ano do Jubileu refuta as afirmações que ele requeria alguma redistribuição ou equalização da riqueza. As regulamentações não cancelavam ou perdoavam as dívidas, mas asseguravam o pagamento do empréstimo e depois a devolução das garantias. Além disso, as regulamentações notavelmente nada diziam sobre a riqueza recém-criada. Se um fazendeiro produzisse muito mais por hectare do que outro, ou obtivesse riquezas por meio da fabricação ou do comércio, as regulamentações do Ano do Jubileu não requeriam a redistribuição dessa riqueza, ou qualquer equalização da produção, entre ele e seus vizinhos." [1].
Os advogados da justiça social tipicamente defendem o primado da igualdade de resultados sobre a igualdade de oportunidade, pois eles não aceitam a soberana distribuição de Deus, que abençoa alguns mais do que outros (Mateus 25:14-30 e Lucas 19:12-28). A justiça social é um conceito que foi cooptado pelos socialistas para distorcer o ensino bíblico, justificar a redistribuição da riqueza e servir aos interesses do Estado. "É importante compreender que toda a teoria moderna de justiça social é a racionalização dos interesses de um determinado grupo, ou de uma deteminada classe." [2].
Justiça social é um artifício usado pelos socialistas para persuadir os cristãos sem discernimento a apoiarem os objetivos socialistas. A justiça social requer a deliberada violação do oitavo e do décimo mandamentos. Obviamente, qualquer coisa que incentive a infração dos mandamentos não é de Deus.
O teste final da verdade é se ela corresponde à realidade. Sabemos que o Socialismo é uma mentira, por causa das promessas que faz e dos resultados que depois produz. O Socialismo não reflete a realidade da vida e nem a condição humana. O Socialismo (e os sistemas relacionados, como Comunismo, Fascismo, Intervencionismo, etc.) está fundamentado na anulação dos três últimos dos Dez Mandamentos: não furtarás, não dirás falso testemunho contra teu próximo e não cobiçarás. A quebra desses três mandamentos pode trazer benefícios de curto prazo, mas produz custos no longo prazo. Por outro lado, seguir um ou todos os mandamentos traz custos no curto prazo, porém benefícios no longo prazo.

O Socialismo tem suas raízes na Revolução Francesa, quando o secularismo moderno nasceu. As ideias do Socialismo avançaram substancialmente com a publicação do Manifesto Comunista, em 1848, por Karl Marx (gravura à direita) e Frederic Engels. Ele alcançou a glória total no século 20 com a Revolução Russa de 1917. O contágio propagou as ideias socialistas para a Europa Oriental, partes da África, América Latina, Cuba, Vietnã, Coreia do Norte e outros países. O veredito sobre o Socialismo foi dado em 9 de novembro de 1989 com a queda do Muro de Berlin. Pouco tempo depois (em 1991), a União Soviética entrou em colapso e se transformou em Comunidade de Estados Independentes. Hoje, a Federação Russa é um país que tem uma economia do tamanho aproximado da Itália. A economia russa é menor que a de sete outros países que seguiram o sistema capitalista. A China mudou de suas práticas econômicas socialistas para um capitalismo patrocinado pelo Estado e sua economia floresceu. Uma análise dos países classificados pelo PIB (Produto Interno Bruto) confirma claramente que o capitalismo produz crescimento, prosperidade, abundância e liderança, enquanto que o Socialismo produz estagnação econômica, pobreza, escassez, miséria e submissão. [3]. As únicas economias de desempenho pior do que as socialistas são as dos países que seguem o Islão. É claro que a cosmovisão de uma nação determina em grande parte seu destino.
Como o câncer, o Socialismo destrói uma nação a partir de dentro. Segundo o autor John Hawkins, o Socialismo destrói uma nação de cinco formas. [4]. Primeiro, ele mata o crescimento econômico. Os países que praticam o Socialismo invariavelmente terminam em uma situação desesperadora. Os exemplos atuais incluem a Grécia e a Espanha (e outros países europeus), onde o desemprego, a instabilidade e as falências pairam no horizonte se não houver intervenção do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia. O Banco Mundial é basicamente uma agência de desenvolvimento, enquanto que o FMI é uma instituição de cooperação que procura manter um sistema ordeiro de pagamentos e recebimentos entre as nações. Ambas as organizações estão sediadas em Washington DC e são substancialmente financiadas (como também é a ONU) pelo governo dos EUA. Os EUA são parcialmente responsáveis por manter o Socialismo em outras partes do mundo por meio da ajuda externa, subsídios e outras formas de financiamento de sistemas corruptos e fracassados. Isto é feito em um esforço de estabilizar o comportamento internacional e, ao mesmo tempo, expressar caridade aos outros países.
Segundo, o Socialismo sufoca a livre expressão. O presidente Ronald Reagan disse: "Como você identifica um comunista? Bem, um comunista é alguém que lê Marx e Lênin. E como você identifica um anticomunista? Um anticomunista é alguém que compreendeu Marx e Lenin." O Socialismo oprime a oposição, de modo a evitar o discurso. Frequentemente, ele usa o controle do Estado como uma estratégia e ataques contra a pessoa como tática.
Terceiro, ele leva a um governo cada vez mais tirânico. A história é clara que o Socialismo, sem exceção, sempre leva à perda da propriedade, à perda da liberdade e, no fim, à perda da esperança. Dado este histórico de devastação, causa perplexidade que cidadãos inteligentes de um país queiram deliberadamente adotar os mecanismos da prática socialista.
Quarto, ele cria conflitos e divisões. O Socialismo depende da cobiça, do roubo e das mentiras para alcançar seus propósitos. Esses objetivos somente podem ser alcançados com a cooperação de um povo pecador que tenha voltado suas costas para Deus. Dividir para conquistar é uma antiga estratégia militar. Todavia, "bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor."[Salmos 33:12].
Quinto, os socialistas acreditam que os fins justificam os meios. Curiosamente, os líderes dos países socialistas sempre prosperam, enquanto a população se torna cada vez mais empobrecida. O Socialismo promete um governo que traz igualdade à sociedade. Mas, a realidade é bem diferente. Como George Orwell observou em seu livro A Revolução dos Bichos, alguns membros de uma sociedade socialista sempre são mais iguais do que os outros.
A revista Forbes estimou que o presidente russo Vladimir Putin tem um patrimônio de aproximadamente US$ 75 bilhões, enquanto que o ex-presidente cubano Fidel Castro tem um patrimônio de cerca de US$ 900 milhões. (Cuba tem um PIB de aproximadamente 71 bilhões de dólares). Kim Jong-Un, o líder da Coreia do Norte, tem um patrimônio estimado de US$ 5 bilhões, enquanto que seu país tem um PIB de US$ 14 bilhões. [5]. É curioso que Muammar Kadafi, Hosni Mubarak, Yasser Arafat, e outros líderes islâmicos também são ou foram bilionários. [6]. Finalmente, a desigualdade de renda (conforme medida pelo coeficiente de Gini) mostra que, a despeito das afirmações em contrário, os EUA aumentaram em desigualdade de renda durante o governo Obama. [7].
As medidas de desigualdade de renda do mundo industrializado mostram que a Coreia do Sul (um país capitalista) tem a maior igualdade de renda, enquanto que a Itália (um governo parlamentar com fortes inclinações socialistas) tem significativa desigualdade de renda. [8]. Parece que ser um socialista ou um tirano rende ótimos dividendos, apesar do empobrecimento que provoca na nação.
Por outro lado, o capitalismo, é um sistema econômico em que a produção, distribuição e comercialização são de propriedade privada para produzir um lucro para aqueles que fizeram o investimento para apoiar aquele objetivo. O capitalismo acontece tendo como pano de fundo a liberdade, em que um mercado em grande parte livre opera, enquanto que o governo respeita a propriedade privada e o sistema jurídico protege os contratos. Os problemas aparecem devido às falhas éticas e morais dos proprietários (que podem cometer fraudes), ou do mercado (a prática do roubo), ou do governo (que pode limitar a liberdade e violar os direitos de propriedade). As falhas do capitalismo são falhas humanas. Entretanto, o capitalismo assegura o progresso (ao contrário do desespero provocado pelo Socialismo), porque assume uma cosmovisão judaico-cristã e a estrutura constitucional de uma República. O capitalismo funciona porque é a melhor expressão dos princípios de Deus comunicados na Bíblia sobre liberdade, propriedade privada e a dignidade do homem criado à Sua imagem e semelhança.
Deus abençoa os indivíduos e as nações de acordo com Sua vontade (Salmos 67). Ele não precisa prestar contas ao homem (Romanos 11:33) e é soberano (1 Crônicas 29:11-12). Entretanto, a mordomia cristã requer responsabilidade diante de Deus para as decisões e para o comportamento. A mordomia bíblica vê Deus como o possuidor de todas as coisas e o homem (individual e coletivamente) como seu mordomo. Quando o homem abandona a autoridade de Deus nessas questões, ele se arrisca ao perigo que Lord Acton declarou: "O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente." [9].
A visão cristã da economia celebra a noção da propriedade privada. A propriedade privada está implícita nos Oitavo e Décimo Mandamentos: Não furtarás e não cobiçarás. Karl Marx, o fundador do Socialismo moderno, disse que a abolição da propriedade privada era uma condição essencial para o Socialismo. Marx desejava que o Estado possuísse (e controlasse) a produção e distribuição de bens e serviços. Ele também desejava que a propriedade privada estivesse subordinada aos interesses do Estado. Até mesmo os peregrinos abandonaram suas experiências com o Socialismo porque "não queriam morrer de fome" [10].

A Bíblia e o Dinheiro

Howard Dayton nos diz em seu livro Your Money Counts, que "a Bíblia oferece 500 versos sobre oração, menos de 500 versos sobre a fé, porém mais de 2.350 versos sobre dinheiro e bens materiais." [pág. 8].
Parte da razão para isto vem do fato que "os bens materiais são um concorrente principal com Cristo pelo senhorio de nossas vidas" [pág. 11]. Com isto em mente, aqui estão algumas perspectivas sobre dinheiro e economia, conforme encontramos nas Escrituras:
  • Deus é o proprietário de todas as coisas (Salmos 24:1). Dayton nos faz lembrar que o contentamento cristão reside neste fato.
  • Deus provê nossas necessidades e devemos buscar Seu reino e Sua justiça. (veja Mateus 6:33).
  • Devemos ser fiéis com tudo o que temos, independente se é pouco ou muito, conforme exemplificado em Mateus 25:14-15 e devemos ser fiéis com os bens dos outros (Lucas 16:12).
  • Não se deixe dominar pelas dívidas (Provérbios 22:7, 1 Coríntios 7:23). Portanto, faça todo o possível para evitar o endividamento.
  • Devemos ser honestos em nossas transações (Provérbios 20:23).
  • Não devemos cobiçar coisa alguma que nosso próximo possua e também não podemos roubar (Êxodo 20:15,17).
  • Devemos dar aos outros e ajudar os pobres (Atos 20:35, Provérbios 28:27).
  • Devemos trabalhar e ter uma atitude apropriada — "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis." [Colossenses 3:23-24].
  • Pague um salário justo aos seus empregados pelo trabalho que eles executam; não retenha o salário deles (Malaquias 3:5 e Deuteronômio 24:14-15].
  • Coloque sua confiança em Deus e não nas riquezas. (1 Timóteo 6:17).

A responsabilidade pessoal também está inextricavelmente presente na Doutrina da Soteriologia (Doutrina da Salvação). Deus considera as criaturas livres moralmente responsáveis por suas livres escolhas. A Bíblia é clara com relação à doutrina da liberdade e da responsabilidade (1 Timóteo 3:6, Judas 6-7, 1 Timóteo 2:14 e Romanos 3:19). Embora Deus chame os indivíduos para a salvação, existe um componente de responsabilidade pessoal, ou livre arbítrio, que é claro no ensino bíblico. Se a responsabilidade pessoal é essencial para a decisão mais importante da vida, não deve ser surpresa que a responsabilidade pessoal seja um elemento necessário em outras decisões da vida. Lucas 13:3 diz: "Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis." Tiago 4:17 ensina: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.". Efésios 2:10 diz: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."
Gálatas 6:5 diz: "Porque cada qual levará a sua própria carga.". 2 Coríntios 5:10 confirma: "Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal."
A Bíblia defende a propriedade privada e ensina a responsabilidade pessoal. Isto está em clara oposição ao ensino socialista que prescreve a propriedade estatal dos meios de produção e a responsabilidade coletiva.
Karl Marx, o principal fundador do Comunismo disse: "... de cada um segundo sua capacidade, para cada um segundo sua necessidade" [11]. Marx estava claramente em oposição ao ensino bíblico e apresentou o Estado como um árbitro das necessidades. A Bíblia é clara com relação à importância do indivíduo.
Tiago 4:2-3 ensina que devemos pedir a Deus, não aos homens, em caso de necessidade: "Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites."
O Socialismo é claro a respeito da importância do coletivo. A Bíblia é clara a respeito da importância do indivíduo no relacionamento com Deus. O Socialismo fundamenta-se no ateísmo como componente teológico da cosmovisão marxista-leninista. O capitalismo está fundamentado na teologia da cosmovisão judaico-cristã. O Socialismo e a Bíblia estão diametralmente opostos em seus ensinos.
Winston Churchill eloquentemente observou que: "O vício inerente no capitalismo é o compartilhamento desigual das bênçãos. A virtude inerente do socialismo é o compartilhamento equitativo das misérias." [12]. Thomas Jefferson repreendeu a noção de controle do governo: "Somos dirigidos por Washington quando semeamos e quando colhemos; em pouco tempo teremos falta de pão." [13]. Margaret Thatcher disse: "Tradicionalmente, os governos socialistas desorganizam as finanças de um país. Eles sempre gastam todo o dinheiro das pessoas. Esta é uma característica marcante deles." [14].
A situação atual da economia americana é precária. Uma das melhores medidas da saúde econômica de um país é a relação dívida/PIB, um indicador do relacionamento entre dívida e produção. Quando o presidente Obama foi empossado (em 20 de janeiro de 2009), a dívida americana era de US$ 10,6 trilhões. Em 21 de fevereiro de 2014, a dívida estava em US$ 17,39 trilhões. O aumento da dívida nacional foi de 64% em cinco anos, um aumento anual de 10,4%, comparado com um crescimento econômico anual de menos de 3%.
Quando Barack Obama foi eleito no primeiro mandato, a relação dívida/PIB era de menos de 70%. Hoje, a relação está em 101%. Isto inclui Medicare Part A em 36 trilhões, Medicare Part B em 37 trilhões, Medicare Part D em US$ 15 trilhões e Seguridade Social em US$ 17,5 trilhões para um passivo total sem financiamento de mais de US$ 105 trilhões. [17].

Os EUA caíram muito economicamente nos últimos anos. Isto sugere que sem medidas draconianas para cortar os direitos sociais (atualmente acima de 60% do PIB e crescendo), os EUA poderão enfrentar um cenário de bancarrota ou promessas não cumpridas. [16]. O conjunto atual de problemas econômicos (acompanhado por uma falta de disposição para lidar com eles) coloca o país em uma rota que se parece mais com a Grécia no futuro. A Grécia está atualmente em triagem econômica e é considerada um grande embaraço para a civilização ocidental. Como a Grécia, os EUA não poderão sair de suas atuais dificuldades econômicas sem uma concomitante reforma no sistema de direitos e benefícios sociais.
Os gastos do governo dos EUA, como uma porcentagem do PIB, alcançaram o valor mais alto de todos os tempos (excluindo a Segunda Guerra Mundial) durante o governo Obama. [17].
Isto aconteceu à medida que mais políticos prometeram mais benefícios para mais pessoas, que votaram uma maior abundância para si mesmos. Esta foi uma falha tanto dos líderes quanto dos eleitores. É algo insustentável e também uma falha moral de proporções épicas. No tempo de Cristo, o Império Romano impôs um tributo de 5% sobre a herança e um tributo de 1% sobre as vendas (em comparação com a alíquota média de 5,6% que os estados americanos cobram atualmente). [19]. O governo dos EUA tributa os imóveis em 35% para aqueles que possuem patrimônio imobiliário acima de US$ 5 milhões. [20]. Os EUA tributam as empresas em 35%, a alíquota mais alta na OCDE (Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica). Subitamente, a opressão de Roma não parece tão má assim.
Qual é a cosmovisão bíblica da economia? Ela está baseada nos princípios judaico-cristãos de moralidade, responsabilidade individual, liberdade e a proteção da propriedade privada. O capitalismo é o sistema econômico melhor adequado para atender a esses princípios de uma cosmovisão bíblica. Aqueles que buscam soluções no governo, como o porto seguro preferido, podem colocar em risco suas próprias liberdades.
Karl Marx disse: "Há somente um modo de destruir o capitalismo — com impostos, impostos e mais impostos." [21]. Abraham Lincoln disse: "Não se pode ajudar os homens permanentemente fazendo por eles aquilo que eles poderiam e deveriam fazer por si mesmos." [22]. Thomas Jefferson disse: "Um governo grande o suficiente para fornecer tudo aquilo que você quer também é forte o suficiente para tomar tudo aquilo que você possui." [23].
A ética derivada dos absolutos morais é um suporte indispensável para uma economia sólida e uma sociedade justa.
O movimento da justiça social nasceu a partir da filosofia marxista e está fundamentado no relativismo moral, no ateísmo e na ética situacional. As táticas maquiavélicas (os fins justificam os meios) são a crença fundamental nos sistemas de justiça social. Isto está em flagrante contradição com os ensinos bíblicos sobre propriedade privada, responsabilidade pessoal e a responsabilidade do indivíduo diante de um Deus soberano. Uma cosmovisão cristã é essencial para produzir o crescimento e as oportunidades em uma sociedade. A história do século 20 corrobora claramente este fato.
Os modelos coletivistas de governo e de economia no século 20 terminaram em abjeto fracasso, ao mesmo tempo que impuseram miséria e desespero sobre a população. O sistema coletivista depende da provocação de inveja e divisão entre grupos que colocam sua fé na visão utópica do homem. Ele nunca funcionou e nunca funcionará. Entretanto, cada geração precisa lutar por esta compreensão por sua própria conta, se quiser manter os princípios bíblicos e preservar suas liberdades.
Os inimigos de Deus e deste país têm um plano. Jim Garrison, presidente da Fundação Mikhail Gorbachev disse: "Nos próximos 20 ou 30 anos teremos um governo mundial. É inevitável. Haverá conflito, coerção e consenso. Isto é parte daquilo que será necessário para criarmos a primeira civilização global." [24].
Joseph Stalin disse: "Os EUA são como um corpo sadio e sua resistência é tripla: seu patriotismo, sua moralidade e sua vida espiritual. Se pudermos solapar essas três áreas, a América entrará em colapso a partir de dentro."
Quando a inflação se acelerar, a taxa de juros sobre a dívida pública federal explodirá. O que acontecerá se os EUA se tornarem tecnicamente insolventes devido à inflação e à impossibilidade de honrar o serviço de sua dívida?" [25].
  1. As contas de poupança poderão ser reduzidas substancialmente.
  2. Os impostos serão elevados até as alturas.
  3. O perigo pessoal dentro da sociedade aumentará
  4. Os pagamentos feitos pelo governo diminuirão drasticamente, ou serão interrompidos.
  5. As pessoas terão uma grande redução em seu padrão de vida, com pobreza generalizada.
  6. O mercado de ações cairá severamente e os mercados de crédito dominarão.
  7. Muitas instituições financeiras poderão quebrar.
  8. A maior parte dos financiamentos do governo vai diminuir ou desaparecer.
  9. Muitas empresas fecharão ou demitirão funcionários.
  10. As falhas na infra-estrutura proliferarão (telefonia, água, energia elétrica, etc.)
  11. Prováveis agitações sociais.
  12. Uma ditadura ou a Lei Marcial poderá ser imposta.
O que deve o indivíduo fazer em resposta à natureza precária da economia dos EUA e o papel cada vez maior do Estado? Devemos reconhecer que existem períodos de festa/fome e que economizar é essencial para sobreviver nos tempos difíceis (Gênesis 41:34-36), e que a dívida cria servidão (Provérbios 22:7), que ignorar os sinais dos tempos pode trazer desastres (Provérbios 22:3), confiar no Senhor (Provérbios 3:5-6), discernir o que está para acontecer (Lucas 12:54-57) e compreender os tempos em que vivemos (1 Crônicas 12:32).
A ética e o envolvimento são importantes. Somos chamados para resgatar a cultura (Atos 15:1-31), Colossenses 3:17 e Gênesis 1:28) e para sermos o sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). O sal requer contato para preservar. A luz precisa confrontar as trevas de modo a iluminar. É crítico que a população procure líderes tementes a Deus e rejeite as promessas dos demagogos e estatistas. Nâo existe esperança para um país que pune o sucesso, força a redistribuição da riqueza e perpetua o nivelamento por baixo. É a igualdade de oportunidades que promove a mobilidade social e neutraliza a desigualdade de renda.
Finalmente, o cristão não deve correr para o Estado (para os homens) em busca de socorro, mas deve buscar a Deus (Jeremias 17:5). Portanto, é prudente se preparar para as dificuldades caso este país não reverta sua rota atual. Certamente, é aconselhável manter um nível de vida que permita economizar um pouco, restringir a tomada de empréstimos, desenvolver o hábito da poupança, adotar a moralidade da responsabilidade individual nos tempos de incerteza, tomar decisões com base na teoria da preferência (o conceito econômico relacionado com o adiamento da gratificação) e envolver-se na cultura para assegurar que tenhamos práticas econômicas justas e líderes honestos.
Deus não discrimina as nações com base em suas riquezas e poder. Entretanto, Atos 10:34-35 nos diz: "E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.". O sucesso futuro deste país não está garantido. Provérbios 1:20-33 nos adverte que aqueles que rejeitam a sabedoria ceifarão a calamidade, enquanto que aqueles que ouvem à sabedoria viverão em segurança, sem temor ou dano. É claro que o melhor sistema econômico para assegurar que possamos sobreviver aos vindouros desafios econômicos da dívida do governo, da baixa necessidade de utilização da mão de obra e um crescimento lento da economia, é um sistema que esteja em submissão a Deus e que adote os princípios judaico-cristãos.
Os EUA retornarão à sua herança judaico-cristã no suporte à economia cristã? Sem arrependimento, não é razoável esperar bênçãos. A responsabilidade pessoal é de fundamental importância na proteção da propriedade privada e das liberdades. Uma devoção ao Socialismo (e à cosmovisão do Humanismo Secularizado), está criando os Estados Divididos da América. Somente a construção do livre mercado da iniciativa privada e de uma cosmovisão judaico-cristã preservarão os Estados Unidos da América. O sistema que escolhermos como indivíduos irá em grande parte determinar nosso destino como nação.

Notas Finais:

1. Social Justice: How Good Intentions Undermine Justice and Gospel, E. Calvin Beisner, pág. 6.
2. A Falácia da Justiça Social, Carl Teichrib, setembro de 2010.
3. http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(nominal)
4. http://townhall.com/columnists/johnhawkins/2014/02/25/5-ways-socialism-destroys-societies-n1800086/page/full.
5. http://www.celebritynetworth.com/richest-politicians/presidents/kim-jong-un-net-worth.
6. http://voices.yahoo.com/gaddafi-money-libyas-dictator-billionaire-too-7953044.html?cat=3.
7. http://en.wikipedia.org/wiki/Gini_coefficient.
8. http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_income_equality#Gini_coefficient.2C_before_taxes_and_transfers.
9. http://www.brainyquote.com/quotes/quotes/l/lordacton109401.html.
10. http://www.freerepublic.com/focus/f-news/1285981/posts.
11. http://en.wikipedia.org/wiki/From_each_according_to_his_ability,_to_each_according_to_his_need.
12. http://en.wikiquote.org/wiki/Capitalism.
13. Idem.
14. http://en.wikiquote.org/wiki/Talk:Margaret_Thatcher.
15. http://ezinearticles.com/?What-is-the-Total-Unfunded-Liability-of-the-US-Government?&id=3531013.
16. http://www.usgovernmentspending.com/united_states_total_spending_pie_chart.
17. http://www.usgovernmentspending.com/us_20th_century_chart.html.
18. Charles Adams, The Good and Evil, First Madison Books, Lanham, MD, 2001, pág. 101.
19. http://www.usa-sales-use-tax-e-commerce.com/table_sales_rates.asp.
20. http://en.wikipedia.org/wiki/Estate_tax_in_the_United_States.
21. James Cook, The Free Market and its Enemies; a Book of Quotes, IRI, Minneapolis, pág. 108.
22. Idem, pág. 100.
23. http://www.federalbudget.com/biggov.html.
24. Jim Garrison, presidente da Fundação Gorbachev nos EUA, "One World Under Gorby", San Francisco Weekly, 31 de maio de 1995.
25. http://thelawdictionary.org/article/what-would-happen-if-the-united-states-went-bankrupt/.

Iniciando a Vida Adulta com Dívidas

A dívida estudantil cresceu consideravelmente nos últimos anos, e não apenas nos EUA, mas também em outros países. Entretanto, nos EUA um novo referencial foi alcançado por aqueles que estão se formando em 2014 — eles se tornaram os mais endividados de todos os tempos.
Na edição de 16 de maio de 2014 do Wall Street Journal, foi observado que "o estudante universitário mediano que está se formando em 2014 e com financiamento estudantil tem a pagar aproximadamente US$ 33 mil..." Lembre-se, este é o valor médio. Phil Izzo, o autor da reportagem do Wall Street Journal, coloca isto em perspectiva histórica: "Mesmo após fazer o ajuste para compensar a inflação, isto é quase o dobro da dívida que os estudantes tinham a pagar 20 anos atrás."
"Enquanto isto", Izzo escreve, "uma parcela maior de estudantes está contraindo dívidas para financiar a educação superior. Cerca de 70% dos alunos que estão concluindo seus cursos neste ano estão deixando as universidades com financiamento estudantil a pagar; em 1994 eram menos da metade." Entretanto, outro fator econômico precisa ser considerado ao examinar a dívida com o financiamento estudantil: os salários dos recém-formados. As duas linhas — dívida e salários — não estão em sincronia.
Como diz Provérbios 22:7: "O rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta."

Sinais Que a Crise Econômica Global Está se Acelerando

Autor: Michael Snyder

Nota do Editor: Michael Snyder é um autor cristão que analisa os indicadores e tendências econômicas. Este artigo dele apresenta um "chamado para o despertar", para colocarmos nossas vidas financeiras em ordem e também colocarmos nossa confiança em Deus, não no homem. Você pode ler mais sobre o trabalho dele em http://theeconomiccollapseblog.com.

Muitas pessoas com quem converso nestes dias querem saber "quando as coisas vão começar a acontecer". Bem, certamente alguns tempos trabalhosos estão no horizonte, mas tudo o que você precisa fazer é abrir seus olhos e ver a crise econômica global que está se desdobrando. Como você verá a seguir, os banqueiros centrais estão fazendo advertências assustadoras sobre "novas bolhas perigosas dos ativos" e até o Banco Mundial já declarou que "agora é hora de se preparar para a próxima crise".

A maioria das pessoas tende a se preocupar somente com o que está acontecendo em seu próprio país, mas a verdade é que sérios problemas econômicos estão em erupção na América do Sul, em toda a Europa e nas locomotivas asiáticas, como China e Japão. Além disso, os conflitos infindáveis no Oriente Médio poderão se transformar em uma grande guerra regional. Vivemos em um mundo que está se tornando cada vez mais instável e precisamos compreender que o período de relativa estabilidade em que vivemos é extremamente vulnerável e não durará por muito tempo.
Os seguintes são 18 sinais que a crise econômica global está se acelerando agora que entramos no segundo semestre de 2014:
1. O Banco das Compensações Internacionais publicou um novo relatório em que adverte que "perigosas novas bolhas de ativos" estão se formando e que poderão potencialmente levar a outra grande crise financeira. Os banqueiros centrais sabem de algo que nós não sabemos, ou estão apenas tentando colocar a culpa nos outros por toda a gigantesca bagunça que eles mesmos criaram?
2. A Argentina deixou de honrar um pagamento de US$ 539 milhões de sua dívida e está na iminência de sua segunda grande moratória em 13 anos.
3. A Bulgária está tentando desesperadamente acalmar uma corrida aos bancos, que ameaça crescer em espiral e sair fora do controle.
4. No mês passado, os financiamentos habitacionais na zona do euro declinaram no ritmo mais rápido já registrado. Por que os bancos europeus estão segurando seu dinheiro de forma tão rígida agora?
5. Na França, o número de trabalhadores desempregados e que estão em busca de um novo emprego subiu muito e alcançou um novo recorde.
6. As economias em toda a Europa estão estagnadas, ou encolhendo. Apenas confira o que um recente artigo da revista Forbes teve a dizer sobre o assunto:
"A economia da Itália encolheu 0,1% nos três primeiros meses de 2014, combinando com a média dos três trimestres anteriores. Após se expandir em 0,6% no segundo trimestre de 2013, a França registrou crescimento zero. Portugal encolheu 0,7%, após números positivos nos nove meses precedentes. Embora os números não estejam disponíveis para a Grécia e Irlanda no primeiro trimestre, nenhum dos dois países está mostrando progresso. O PIB grego caiu 2,5% nos três meses finais do ano passado e a Irlanda cresceu somente 0,2%."
7. Alguns dias atrás, foi reportado que os preços ao consumidor no Japão estão subindo no ritmo mais alto em 32 anos.
8. Os gastos das famílias no Japão caíram 8% em comparação com um ano atrás.
9. As empresas dos EUA estão afundando em débitos maciços, mas a bolha de dívida corporativa na China é tão má que a dívida corporativa na China na verdade ultrapassou a dívida corporativa nos Estados Unidos.
10. Um auditor chinês advertiu que até 80 bilhões de dólares em empréstimos foram lastreados por transações em ouro falsificado. O que isto fará com o preço do ouro e com a estabilidade dos mercados financeiros chineses quando toda essa fraude for destrinchada?
11. A taxa de desemprego na Grécia está atualmente em 26%, mas entre a população jovem, a taxa chega a 56%.
12. Na Grécia, 67% dos desempregados estão sem emprego há mais de um ano.
13. A taxa de desemprego na zona do euro como um todo é 11,8% — apenas um pouquinho menor que o recorde histórico de 12%.
14. O Banco Central Europeu está tão desesperado para obter o dinheiro que circula pelo sistema que na verdade introduziu taxas de juros negativas.
15. O FMI está projetando que há uma probabilidade de 25% para a zona do euro cair na deflação até o fim do próximo ano.
16. O Banco Mundial está advertindo que "agora é tempo de se preparar" para a próxima crise.
17. O conflito econômico entre os EUA e a Rússia continua a se aprofundar. Isto levou a Rússia a tomar uma série de medidas, afastando-se do dólar e indo em direção a outras moedas importantes. Isto terá sérias ramificações para o sistema financeiro global à medida que o tempo passar.
18. A economia dos EUA também está enfrentando dificuldades. Ela encolheu a uma taxa anual de 2,9% no primeiro trimestre de 2014, o que foi muito pior do que o previsto por todos os analistas.
Mas, se os números econômicos dos EUA forem um pouco melhores no segundo trimestre, isto não significará que o país está livre do perigo. Como já enfatizamos diversas vezes em outros artigos, as tendências de longo prazo e os números nos balanços de longo prazo são muito mais importantes do que os números econômicos no curto prazo. Por exemplo, se você for a um centro de compras hoje e gastar mil dólares em doces e jogos de computador, a "atividade econômica" de curto prazo terá uma elevação súbita acentuada. Mas, sua saúde financeira de longo prazo dará uma virada significativa para pior.
Quando falamos sobre a saúde da economia dos EUA, ou de todo o sistema financeiro global, precisamos manter o mesmo tipo de consideração em mente. Com relação aos EUA, se o nível da atividade econômica, alimentada por dívidas, sobe ou desce um pouquinho no curto prazo, não é o que realmente importa. Ao contrário, o fato de a sociedade estadunidense ter quase 60 trilhões de dólares em dívidas é o que realmente importa.
A mesma coisa se aplica para o mundo como um todo. Neste exato momento, os cidadãos do planeta estão com mais de 223 trilhões de dólares em dívidas e, em todo o mundo, os bancos "grandes demais para quebrar", têm pelo menos 700 trilhões de dólares de exposição aos derivativos.
Portanto, realmente não importa muito se os números econômicos de curto prazo sobem ou caem um pouquinho mais. O sistema todo é inerentemente um esquema fraudulento de Pirâmide de Ponzi que inevitavelmente entrará em colapso sob seu próprio peso.
Vamos esperar que o atual período de relativa estabilidade dure um pouco mais. É uma coisa boa ter tempo para se preparar. Mas, somente um louco pensaria que a maior bolha de dívida na história do mundo nunca irá estourar algum dia.

As Duas Principais Armas do Cristão e Como Satanás Está Trabalhando Furtivamente para Neutralizá-las




















Poucos cristãos professos parecem se dar conta que eles têm um inimigo que os odeia.
Esta é provavelmente a verdade espiritual mais importante que um ministério de discernimento pode enfatizar. Muitos cristãos hoje se essqueceram disso. Eles convenientemente imaginam que o mundo ao redor é espiritualmente neutro, mas eles estão grandemente enganados. Na realidade, um vasto exército sobrenatural está trabalhando arduamente para estabelecer o controle total sobre as mentes e corações dos homens.
Não deveria ser necessário lembrar aos cristãos que vivemos em um estado de guerra perpétua. Todavia, apesar de todas as advertências que encontramos na Palavra de Deus, muitos cristãos professos se agarram à falsa ideia que o mal é simplesmente a ausência do bem. Esta noção tola contradiz o fato que a maior parte da humanidade está em rebelião contra o Senhor Deus. As pessoas podem afirmar que creem em um Deus de algum tipo, mas o "deus" em que elas creem não é o Pai de Jesus de Nazaré. Se fosse, então elas também creriam em Jesus e reconheceriam abertamente que Ele é o Filho de Deus.
A Bíblia nos diz que "a rebelião é como o pecado de feitiçaria" (1 Samuel 15:23). Isto significa que a rebelião é maligna em força e substância. Ela não é causada por uma ausência de alguma coisa, mas pela presença de algo que resiste ao Espírito Santo e profere palavras duras contra Deus.
Satanás está fazendo tudo o que pode para incitar uma inimizade contra os justos, contra aqueles que amam o Pai e o Filho: "O ímpio maquina contra o justo, e contra ele range os dentes." [Salmos 37:12].
Ao perpetrar esta grande tarefa, ele não está restringido por alguma falta de cúmplices dispostos a colaborar: "A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?" [Jó 9:24].
Como qualquer comandante militar experiente, ele atribuiu uma ampla variedade de tarefas estratégicas para suas tropas executarem. Entre elas estão: espionagem, contra-inteligência, desinformação e sabotagem. Pode parecer ilusório ver o exército de anjos caídos de Satanás trabalhando dessa forma — em aliança com legiões de homens corrompidos — mas este é o modo como ele opera. Ele é um mestre na enganação e trabalha com um plano que parece maximizar a vantagem que ele pode extrair desse seu atributo perverso.
Quando Jesus Cristo advertiu sobre os muitos perigos que os cristãos fiéis enfrentariam no fim dos tempos, o que Ele mais enfatizou foi o perigo da enganação.
Satanás está trabalhando tanto para aumentar a força de seus próprios malignos regimentos quanto para solapar a eficácia operacional das forças de Deus que estão formadas contra ele.
Neste ensaio veremos principalmente estas últimas, em particular os passos que Satanás está dando para enganar os fiéis cristãos e fazê-los negligenciar suas duas armas principais — a Palavra de Deus e a oração fervorosa e eficaz.

Um Valente Armado

Cristo nos advertiu a respeito da necessidade de protegermos a nós mesmos: "Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem." [Lucas 11:21]. Os cristãos são quase constrangidos a pensar que precisam se armar espiritualmente (e fisicamente também, se necessário). Em seguida, Cristo também disse que espíritos malignos percorrem o mundo, procurando vítimas e, quando encontram uma casa que foi deixada desprotegida, eles chamam outros de sua mesma espécie e entram ali: "Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro." [Lucas 11:26].
Há muito tempo que Satanás procura desarmar os fiéis cristãos e estabelecer controle sobre seus estados mentais e emocionais. Ele não é capaz de "possuir" um crente cheio do Espírito Santo, mas pode alcançar muito simplesmente se conseguir desarmá-lo. Ele tem a capacidade de exercer o grau mais extraordinário de enganação se o indivíduo não for vigilante. Ele não pode remover nossas duas armas à força, mas pode nos induzir a colocá-las de lado, negligenciá-las ou usar substitutos ineficazes.

Nossa Primeira Grande Arma: A Oração

Veremos primeiro a oração na vida do fiel cristão e depois examinaremos o que o Maligno tem feito para neutralizá-la.
A oração é a expressão contínua do nosso relacionamento com Deus. Falamos com gratidão ao nosso Pai Celestial por meio da oração e levamos diante Dele nossas necessidades e temores, nossas alegrias e expectativas, bem como nosso louvor e celebração por Suas obras maravilhosas, tanto em nossas próprias vidas e nas vidas de nossa família e de outros cristãos. Por meio da oração, glorificamos a Deus.
A oração é intrinsecamente pessoal, uma profissão sincera de nossa profunda dependência de Deus, nosso Pai. Ela é um reconhecimento diário e frequente de Seu papel soberano em nossas vidas, da alegria da nossa salvação e de tudo o que Cristo, Seu Filho, alcançou para nós. Por meio do poder do Espírito Santo que habita em nós, estruturamos — em uma atitude de arrependimento — as palavras que melhor expressam nossos pensamentos e sentimentos e nosso desejo de servi-Lo, de buscar Sua santa vontade e de "operar nossa salvação com temor e tremor".
Uma discussão perspicaz do papel da oração em nossas vidas pode ser encontrada em um artigo recente escrito por T. A. McMahon, do ministério The Berean Call, que reproduzimos (com a devida permissão) no fim deste ensaio. O autor chama a atenção para vários aspectos da oração que os fiéis cristãos hoje parecem subestimar e trata, em particular, do papel vital que a oração tem no fortalecimento de nossos companheiros em Cristo — um aspecto que é frequentemente negligenciado.

Falsas Proposições

O Maligno fez um trabalho magistral em distorcer a verdadeira natureza da oração. Ao longo dos últimos cem anos, ou talvez até antes disso, ele induziu a maioria dos cristãos professos a acreditar em muitas das seguintes proposições:
  1. As vãs repetições, que a Bíblia condena, aplicam-se somente às rezas ritualizadas.
  2. Deus ouve todas as orações.
  3. Deus tem um plano para nossas vidas, que não pode ser influenciado por nossas orações.
  4. Existe pouca diferença real entre oração pessoal e impessoal.
  5. A oração é mais "bem-sucedida" quando infundida com imaginação.
  6. Algumas formas de oração são mais "avançadas" ou "eficazes" do que outras.
  7. A oração é mais eficaz quando esvaziamos nossa mente.
Examinaremos cada uma dessas proposições, uma de cada vez, e veremos como elas afetam adversamente nossa capacidade de orar da forma como Deus deseja que oremos.

Erro 1 — As Vãs Repetições Aplicam-se Somente às Rezas Ritualizadas


Repetir as mesmas palavras inúmeras vezes não é oração. Não falaríamos assim com um amigo querido. Ao contrário, teríamos confiança que ele nos ouviria na primeira vez e que seria paciente conosco ao expormos nossos problemas. Mas, não ficaríamos repetindo a mesma coisa um número incontável de vezes.
Tendo dito isto, precisamos nos lembrar que Jesus se referiu ao que hoje chamamos de oração "importuna". Esta é a oração que fazemos quando estamos com uma necessidade tão profunda, ou estamos tão aflitos, que repetidamente imploramos ao nosso Pai Celestial para agir rapidamente em nosso favor. Esse tipo de apelo vem do fundo do coração, não é algo repetido de forma vã.
Jesus nos deu o exemplo da viúva "importuna" que incomodou tanto um juiz de coração frio que ele lhe deu a assistência que ela queria. Jesus também deu o exemplo do homem que foi à casa de seu vizinho durante a noite para lhe pedir um pão para alimentar um visitante inesperado. O vizinho não estava disposto a sair da cama para ajudá-lo, mas fez isso somente para se livrar do incômodo. Ao dar esses exemplos, Jesus queria que compreendêssemos que a oração precisa vir de uma verdadeira convicção da pureza de nossa solicitação. Se verdadeiramente acreditamos que aquilo que estamos pedindo está plenamente de acordo com a santa vontade de Deus para nós, persistimos. Isto expressa tanto nossa confiança em Deus quanto nosso desejo de fazer somente aquilo que é agradável a Ele.
O erro da oração repetitiva está em operação quase que desde a fundação da igreja. O Maligno não perdeu tempo em induzir os fiéis cristãos a orarem do mesmo modo como os pagãos faziam, usando invocações, encantamentos e repetição constante como substitutos para a verdadeira oração. Durante o protesto no templo de Diana, em Éfeso, conforme registrado no livro de Atos dos Apóstolos, a multidão de pagãos que tinha se reunido ali, por cerca de duas horas não cessou de repetir:
"E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios... Mas quando conheceram que era judeu, todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios." [Atos 19:28,34].
Esta foi uma chocante demonstração do poder que a oração repetitiva pode exercer sobre a mente não-regenerada. Duas horas é um tempo bem longo para gastar repetindo uma mesma frase.
Os monges e ascetas "cristãos" primitivos, que passavam anos de suas vidas no deserto e em monastérios situados em locais remotos, eram ávidos praticantes desse mesmo tipo de oração. A maioria deles não sabia nada a respeito da verdadeira oração, ou não teriam desperdiçado suas vidas desse modo.
A igreja hoje está sendo grandemente prejudicada pela oração repetitiva, pela infindável declamação de fórmulas verbais. A isto podemos acrescentar a repetição constante de apenas alguns versos das Escrituras, até o ponto em que eles não têm significado real. Até mesmo a oração que Jesus ensinou em Seu sermão no monte teve o objetivo de ser apenas um gabarito, um modelo de como devemos orar.
Uma das mais tocantes e contritas de todas as orações foi a do ladrão na cruz: "E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino." [Lucas 23:42]. Em nossas orações precisamos dizer claramente aquilo que queremos.

Erro 2 — Deus Ouve Todas as Orações

A máxima moderna e de Nova Era que "Deus houve todas as orações" simplemente não é verdadeira. A Bíblia deixa bem claro que as únicas orações que Deus ouve são aquelas recebidas por meio da intercessão de Seu Filho. É por isto que Cristo é descrito como o mediador — o único mediador — entre Deus e o homem. O homem necessita de um mediador por que está totalmente separado de Deus. Esta é a consequência horrível da Queda. Assim, quando os pagãos afirmam contactar Deus "de seu próprio modo", como se isso fosse possível, eles estão cegos para o fato que isto não pode ser feito. Eles estão perdidos, no verdadeiro sentido da palavra.
Nosso Pai Celestial ouve as orações dos cristãos nascidos de novo que amam Seu Filho. Esta é toda a base da oração. Entretanto, Jesus disse: "Se me amais, guardai os meus mandamentos." [João 14:15]. Isto implica que os fiéis cristãos que não são verdadeiramente obedientes à Palavra de Deus e que não guardam Seus mandamentos como deveriam, estão deixando de atender ao requisito mais básico definido por Deus para Ele ouvir nossas orações, isto é, que amemos e obedeçamos Seu Filho.
A doutrina da "graça livre" sobre a qual tanto ouvimos é, na verdade, enganosa. Os dons de Deus sempre foram pela graça. Não há nada que possamos fazer para conquistar alguma coisa de Deus, ou para colocá-lo em dívida conosco, por assim dizer. Até mesmo os israelitas que faziam uma oferta sob a Lei Mosaica recebiam as bênçãos de Deus por meio da graça. De fato, um cristão nascido de novo está hoje sob um padrão até mais rigoroso do que um israelita que vivia sob a Lei Mosaica. A conduta externa ainda importa, é claro, mas o coração precisa ser perfeito diante de Deus para o cristão poder vir diante de Deus em oração. Essa perfeição vem somente por meio do sangue de Cristo.
Satanás causou grande confusão na igreja ao esconder o fundamento sobre o qual a oração é possível. Nosso Pai nos ouvirá SOMENTE com base naquilo que Seu Filho alcançou em nosso lugar. Portanto, para nos aproximarmos Dele em oração, precisamos demonstrar por meio da obediência nosso amor por Seu Filho.
Infelizmente, a oração coletiva em muitas igrejas hoje não é edificante e nem eficaz, em grande parte por que é realizada sem qualquer temor a Deus. Sim, o apóstolo Paulo nos convida a virmos com confiança diante do trono de Deus, mas precisamos fazer isso com um espírito quebrantado e um coração contrito (Salmos 51:17). Nunca devemos nos esquecer de quem é o trono diante do qual estamos!

Erro 3 — Deus Tem um Plano Que Não Pode Ser Influenciado pelas Nossas Orações

Algumas vezes os fiéis cristãos se perguntam por que é necessário levar nossos pedidos diante de Deus, uma vez que Ele já conhece aquilo que queremos e aquilo que necessitamos. Muitas razões já foram sugeridas para isto. Por exemplo, que crescemos em fé quando nossas orações são respondidas. Isto certamente é verdadeiro, mas é somente parte de um quadro muito maior.
A oração está na verdade nos preparando para vivermos com Deus na eternidade. A oração nos conecta, como seres criados, com nosso Criador e permite que o indivíduo se chegue mais perto Dele: "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações." [Tiago 4:8].
Orar é se aproximar de Deus. Muito provavelmente, quanto mais perto nos aproximamos de Deus nesta vida terreal, mais perto estaremos Dele na eternidade.
Quanto mais confiamos em Deus, mais perto Dele queremos estar. Mas, se tolamente acreditamos que Deus tem um plano inflexível e pré-determinado para nossas vidas, então teremos grande dificuldade em nos aproximar Dele. Ele parecerá distante ou impessoal. É por isto que Satanás criou tantos sistemas religiosos e filosóficos com base na mecânica e na causalidade. Esses sistemas têm uma enorme influência sobre a concepção do homem de Deus, em particular o caráter de Deus. Um desses sistemas até domina o ramo do Cristianismo conhecido como Calvinismo, que torna Deus a causa final e eficiente de tudo e deixa de ver que o amor e o livre arbítrio são totalmente compatíveis com Sua absoluta soberania.
Existem muitas "soluções" nas Escrituras para este aparente paradoxo, mas talvez a mais admirável possa ser encontrada no Salmos 136. Alguns dizem, com razão, que as Escrituras enfatizam a importância de uma determinada verdade pela repetição. Bem, no Salmos 136, a Palavra de Deus repete uma certa verdade não menos que 26 vezes! — "porque a sua benignidade dura para sempre."
Não há nada parecido com isto em outras passagens das Escrituras. O Senhor repete esta verdade tantas vezes e em sucessão, uma perto da outra, porque ela é de importância monumental, uma verdade tão grande que simplesmente não podemos compreender Deus, se não compreendamos essa verdade, isto é, que Sua benignidade dura para sempre.
Na análise final, oramos a Deus, não por que queremos algo Dele, mas porque queremos estar perto Dele, conhecê-lo melhor e nos aproximar cada vez mais Dele.

Erro 4 — Apesar das Aparências, Toda Oração É Impessoal


A partir das discussões nos três pontos anteriores, deve ser claro que toda verdadeira oração é pessoal. Não pode ser diferente. As assim chamadas grandes liturgias das Igrejas Católica Romana e Ortodoxa Oriental podem ser tranquilizantes para a carne, mas não são oração.
Os inimigos do Cristianismo há muito tempo procuram retratar a oração como um dever, ou uma obrigação que está sobre o homem, a realização da qual agrada a Deus. Mas, isto é falso. A oração não é um dever, mas um privilégio e uma bênção para aqueles que são nascidos de novo.
A proposição que a oração é impessoal está relacionada com o erro Pentecostal-Carismático conhecido como orar ao Espírito Santo. A Bíblia nos diz que o Espírito Santo sempre dirige o fiel até Cristo. Embora seja uma das três pessoas no Deus Triúno, o Espírito Santo não é aquele para quem oramos, mas aquele que nos habilita a orarmos. Sem que o Espírito Santo habite em nós, nossas orações não podem ser ouvidas. Surge uma grande confusão quando o fiel cristão coloca mais confiança no Espírito Santo do que no Pai.
Nem uma única vez Jesus nos pediu para orar ao Espírito Santo e Ele próprio nunca fez isso, nem mesmo no Jardim do Getsêmane ou no Calvário. Na verdade, não há um único exemplo na Bíblia em que alguém tenha dirigido orações ao Espírito Santo. A Igreja Católica Romana quer que os cristãos professos adotem a prática carismática de orar ao (ou no) Espírito. Isto é tudo parte de seu programa ecumênico altamente subversivo e até aparece no Catecismo oficial (de 1992):
[2670] "... Se Ele nos ensina a orar recordando-nos Cristo, como não orar a Ele mesmo? Por isso, a Igreja nos convida a implorar cada dia o Espírito Santo, sobretudo no início e no fim de toda ação importante."
[2671] "... Mas a oração mais simples e mais direta é também tadicional: 'Vinde, Espírito Santo' e cada tradição litúrgica a desenvolveu um antífonas e hinos. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor."
Nascer de novo significa ter um relacionamento pessoal com o Senhor. Nós o conhecemos e somos conhecidos por Ele. Temos este relacionamento unicamente por meio de Seu Filho e o exercemos unicamente por meio do poder e direção do Espírito Santo. O Maligno tenta todos os tipos de truques para solapar esse relacionamento e abalar nossa confiança naquilo que a Bíblia diz sobre o assunto.
Orar ao (ou no) Espírito Santo é uma forma disfarçada de oração impessoal. Ao se envolver nisto, o indivíduo está se afastando do Pai, a exata pessoa a quem Jesus nos ensinou a dirigir nossas orações.
Há um problema adicional. Quando os cristãos professos insistem, de forma contrária às Escrituras, em se dirigir ao Espírito Santo, eles se arriscam a fazer contato com um espírito enganador. Alguns até tentam dar ordens ou invocar o Espírito Santo, exatamente como a Igreja Católica recomenda — "Vem, Espírito Santo" — mas este é um erro terrível. O Espírito Santo não pode ser invocado desse modo. Ele não é uma força espiritual, mas uma pessoa. Depois que o indivíduo adota este modo de pensar, ele começa a acreditar que está "energizado", ou "ungido" de algum modo, e que uma medida de autoridade sobrenatural lhe foi concedida. Satanás pode até lhe dar certos "sinais" para aumentar esse auto-engano.
Na prática não há muito a escolher entre a oração repetitiva e a oração impessoal. Ambas negam nosso relacionamento pessoal com Deus e denigrem o caráter e soberania de Deus. Elas também desviam nossos corações da verdade singular que a oração é possível somente por causa do Calvário. Aquilo que Cristo fez por cada um de nós foi pessoal, e nossas orações também precisam ser pessoais.

Erro 5 — A Oração É Mais "Bem-Sucedida" Quando Infundida com Imaginação


Os quatro primeiros erros levam ao quinto. É assim que o Maligno trabalha. No momento em que começamos a pensar na oração como um agente de transformação, ou como uma técnica para melhorar nossas vidas, entramos no reino da magia.
Não é coincidência que a magia está baseada em princípios como a repetição prolongada de sílabas sagradas, a operação impessoal das leis esotéricas, o conflito perpétuo entre os opostos (onde o bem nunca consegue triunfar sobre o mal) e a receptividade da Força Cósmica ao poder da nossa imaginação.
Quando o homem acredita na magia e segue seu coração, ele é grandemente enganado. A Palavra de Deus diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" [Jeremias 17:9], mas o Maligno tenta convencer a humanidade que o oposto é verdadeiro!
A crença no poder da imaginação provavelmente exercerá um papel importante na formação da vindoura Religião do Mundo Unificado.
Quando um cristão professo começa a usar a imaginação em suas orações, ele está tão longe da verdadeira oração quanto é possível estar. Ele está agora confiando em sua própria força e usando sua faculdade imaginativa para moldar e modelar o resultado que ele mesmo deseja. Ele espera que a Força Cósmica entre no quadro que ele criou em sua imaginação e manifeste seus desejos.
Esta é, na verdade, uma antiga técnica ocultista, um dos muitos truques que Satanás usa para enlaçar a humanidade. Os falsos mestres afirmam que é a fé dos praticantes, e não o uso que eles fazem da imaginação que alcança os "resultados", mas isto é apenas outro modo de dizer que a imaginação tomou o lugar da fé. Qualquer cristão que tente "nomear e reivindicar" está praticando uma forma de magia.
Os místicos da Igreja Católica Romana fizeram uso extensivo das técnicas imaginativas para induzir estados místicos ou experiências extáticas. Os "Exercícios Espirituais", de Inácio de Loyola, o fundador da Ordem dos Jesuítas, são um exemplo perturbador disso.

Erro 6 — Algumas Formas de Oração São Mais "Avançadas" do Que Outras

Quando pensamos na oração como uma técnica para obter aquilo que queremos de Deus, ficamos abertos para todos os tipos de erros. Isto leva à falsa visão que algumas formas de oração são melhores ou mais eficazes do que outras. Todavia, a verdade simples é que a oração bíblica — a única oração que Deus reconhece — não é uma técnica de forma nenhuma. Infelizmente, uma grande proporção de cristãos professos parece pensar que ela é.
A expressão mais visível desse erro é a propensão moderna, até mesmo entre os evangélicos, de praticar alguma forma de oração meditativa ou contemplativa. Isto está sendo usado pela Igreja Católica Romana como um modo de infiltrar o Cristianismo bíblico. É muito preocupante pensar que cristãos que afirmam serem nascidos de novo estão lendo livros sobre oração contemplativa escritos por padres católicos romanos, como Henry Nouween, Thomas Merton e Brennan Manning, ou místicos católicos, como Teresa de Ávila, Juliana de Norwich e Irmão Lourenço.
Os praticantes afirmam que as técnicas e conselhos nesses livros melhoraram suas "vidas de oração" (um termo estranho). Se a oração é uma técnica, então eles podem estar certos. Mas, como a oração não é uma técnica, esses indivíduos estão grandemente enganados.
Alguns afirmam que eles somente querem enriquecer suas "vidas de oração" e não estão buscando nada de Deus. Todavia, eles estão com toda a certeza correndo atrás de alguma coisa. Essa "alguma coisa" é uma experiência mística. Eles querem entrar no "Silêncio" reportado pelos místicos e ter um "encontro" com Deus. Satanás explora esse desejo carnal para fazer os praticantes irem além da oração baseada em palavras e aceitarem a perigosa doutrina ocultista que a verdade precisa ser "experimentada". Eles afirmam que isto somente acontecerá quando nos movermos além das palavras e além da linguagem e descobrirmos, por nós mesmos, o terreno final do Ser. A Nuvem do Desconhecimento, uma famosa obra do século 14 sobre o misticismo, tem sido muito influente na propagação dessa filosofia maligna.
O endosso papal ao misticismo tornou-se mais pronunciado nos anos recentes. Os arquitetos do movimento ecumênico identificaram o misticismo como um ingrediente fundamental na unificação de todas as ramificações do Cristianismo nominal. Por exemplo, é significativo que as seguintes declarações doutrinárias possam ser encontradas no Catecismo Católico (os números dos parágrafos estão entre colchetes):
"A meditação é sobretudo uma procura... Para tanto, é indispensável uma atenção difícil de ser disciplinada. Geralmente, utiliza-se um livro, e os cristãos dispõem de muitos: as Sagradas Escrituras, especialmente o Evangelho, as imagens sacras... [2705]. Os métodos de meditação são tão diversos quanto os mestres espirituais. [2707] A meditação mobiliza o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo... A oração cristã procura meditar de preferência 'os mistérios de Cristo', como na lectio divina ou no Rosário. [2708] Entrar em oração é algo análogo ao que ocorre na Liturgia Eucarística..." [2711].
Nada disso é bíblico, mas está enraizado na tradição monástica católica, com seus assim chamados mestres espirituais, ícones sagrados, imaginação, emoção, desejo, atenção plena, Lectio Divina, rosários e a liturgia eucarística. Isto é retratado como uma habilidade que a pessoa precisa adquirir por meio da prática e perseverança sob a direção de um "mestre espiritual". De fato, a proposição que a "meditação é sobretudo uma busca", é um dogma central da filosofia oriental. Claramente, Satanás está usando o misticismo para destruir a verdadeira oração cristã.

Erro 7 — A Oração É Mais Eficaz Quando Esvaziamos Nossa Mente


Este erro está repleto de perigo. A ênfase moderna em Mindfulness (atenção plena) é parte desse erro. Não somente isto trata a oração como uma técnica, mas coloca ênfase especial nos estados mentais, onde formas mais elevadas de meditação podem supostamente ser alcançadas pelos praticantes que aprendem a patrocinar a disposição mental correta. Essas formas de meditação podem ou não incluir a necessidade de o praticante "esvaziar" sua mente, o que envolve a suspensão de sua faculdade de discriminação e aceitar passivamente quaisquer imagens que aparecerem em sua mente.
Algumas vezes, os praticantes precisam "esvaziar" suas mentes de modo a preenchê-las novamente com imagens e ideias selecionadas, um processo chamado de "visualização". Nâo há a necessidade de examinar as mecânicas de tudo isto, pois todo "mestre espiritual" tem seu próprio modus operandi e refinamentos místicos. A conclusão em todos os casos é que essas assim chamadas técnicas antigas são substitutos falsificados para a oração. Quando levadas até o palco em que a visualização assume o controle da realidade, elas podem causar danos espirituais reais.
O pastor David Cloud resume isto da seguinte forma:
"As práticas contemplativas, como a Oração de Jesus, orações com a respiração, oração de visualização, Oração Centrante e Lectio Divina, são extremamente perigosas. Elas são veículos para colocar os praticantes em contato com demônios. Muitos que praticam essas técnicas terminam acreditando em um conceito pagão de Deus, como o panteísmo (Deus é todo o universo) e panenteísmo (Deus está em todas as coisas). Por meio dessas práticas, as pessoas tipicamente se tornam cada vez mais ecumênicas e interfés em seus modos de pensar — Friday Church News Notes, Volume 17, Edição 1, 1/1/2016.
Os grandes "mestres espirituais" do misticismo católico raramente alertam seus alunos para os perigos envolvidos na meditação e contemplação. Como o pastor Cloud disse, essas técnicas são "veículos para colocar os praticantes em contato com demônios". Sob o disfarce da oração, cristãos ingênuos estão sendo enganados a se abrirem para uma influência sobrenatural prejudicial.
Podemos ver duas grandes vitórias de Satanás em tudo isto. Primeiro, os praticantes perdem a direção e proteção que é encontrada somente na verdadeira oração cristã. Essa perda não é episódica, mas pode persistir durante meses, ou até anos. Em segundo lugar, eles se envolvem em formas de experimentações mentais que podem deixá-los abertos para a enganação demoníaca. Não estamos falando aqui de possessão, ou de algo dessa natureza, mas na enganação pura e simples, à qual todos que se envolvem nessa prática tola e sem base bíblica ficam expostos.

Muitos contemplativos passam por longos períodos de desespero, o resultado natural de uma prática que os torna incapazes de orar da forma como Deus nos orientou. Eles tentam explicar isto como uma etapa necessária em seu "crescimento espiritual" e até inventaram termos como "noite escura da alma", "apatia espiritual" e "aridez" para justificar sua condição miserável. Mas, a terrível verdade é que eles se distanciaram de Deus e buscaram consolação no esvaziamento e na escuridão.
É fácil para Satanás levá-los cada vez mais para esse estado desesperador de isolamento, lançando-lhe uma "experiência" sobrenatural de tempos em tempos, como uma visão, ou uma mensagem mística. Repletos de entusiasmo e de falsas esperanças, eles perseveram, alheios ao fato que estão sendo cruelmente enganados.
Os arquitetos dessa terrível enganação gostam de apresentar a vida da mística Teresa de Ávila como um exemplo excelente do fruto que pode ser encontrado por meio da vereda contemplativa. Mas, eles raramente mencionam que a freira espanhola se referiu repetidas vezes em seus escritos ao dano produzido por essa prática sem base bíblica nas vidas de muitas mulheres que ela conhecia pessoalmente. Como os demais místicos católicos, Teresa de Ávila era ignorante do mal que estava fazendo ao promover um sistema de "oração" que era pouco mais do que auto-hipnose, imaginação e controle mental. A mesma ignorância — e arrogante desconsideração pela Bíblia — também é evidente nos escritos de Thomas Merton, o monge trapista que descreveu a si mesmo como um tipo de budista ocidental. (Compare isto com as declarações rebeldes endossadas pelo papa Francisco, um jesuíta e grande admirador dos escritos de Merton: "Tenho confiança em Buda; Acredito em Deus, Alá." [janeiro de 2016].
A verdadeira oração cristã é uma arma poderosa e Satanás a odeia. Ele sabe que até o mais simples e humilde fiel cristão pode causar prejuízo real aos seus intentos por meio da oração cristã. Uma mulher enferma, acamada, grandemente enfraquecida pela idade avançada, pode, por meio da oração contrita e sincera, fazer muito para impedir as obras das trevas. Ela não necessita de "técnicas", ou de "atenção plena", ou de "Oração Centrante", ou de qualquer outro lixo desse tipo. Ela simplesmente vai diante de Deus com suas petições em nome de Jesus. Ela não esvazia sua mente; ao revés, ela a preenche com a Palavra de Deus. Além disso, ela não depende um momento sequer da pouca força que possui, mas, como uma criança pequena, depende inteiramente do Todo-Poderoso para atender seus pedidos.

Nossa Segunda Arma Maravilhosa: A Bíblia

Nossa outra arma, é claro, é a Palavra de Deus. Ela é tão poderosa que o Senhor a chama de espada!
Um fiel cristão verdadeiro se alimenta diariamente com a santa Palavra de Deus, encontrando em seu texto maravilhoso tudo o que precisa para nutrir sua alma. Em um curto ensaio como este não podemos fazer justiça a tudo o que a Bíblia significa para aqueles que são salvos.
A Bíblia não contém simplesmente a Palavra de Deus — ela É a Palavra de Deus. Exatamente por isto, Satanás a detesta.

A Reforma transformou a Europa e nós corretamente damos crédito aos líderes do movimento, homens como Lutero e Calvino, por revelarem novamente muitas das verdades fundamentais do Cristianismo. Mas, o poder real da Reforma estava, não nos homens, mas na Palavra de Deus. A Bíblia pôde novamente ser lida e estudada por pessoas de todos os segmentos sociais. O controle implacável exercido por Roma foi quebrado e a santa Palavra de Deus tornou-se amplamente disponível.
Satanás e seus servos foram descuidados. Eles subestimaram o potencial revolucionário da imprensa. Depois de alguns poucos anos, dezenas de milhares de exemplares da Bíblia foram impressos e caladamente distribuídos por toda a Europa. O poder real da Reforma estava nessa devastadora proclamação da Palavra de Deus. À medida que os homens liam a Bíblia por si mesmos e sentiam o Espírito Santo agitar seus corações, eles subitamente passaram a buscar uma expressão totalmente nova de verdade e de espiritualidade.
Desde aquele tempo Satanás e seu exército de servos humanos ímpios estão trabalhando com afinco para reverter essa situação calamitosa para eles. Um dos propósitos da "revolução" na ciência, que ocorreu logo em seguida, sob a supervisão da elite ocultista que controla a Europa, foi convencer os homens que a razão e a Bíblia estão em conflito. Como a Bíblia está agora no domínio público, como já estava naquele tempo, e não poderia ser facilmente suprimida, o único curso de ação era convencer os homens, por meio do Racionalismo e do assim chamado "Iluminismo", que a Bíblia era um produto unicamente da experiência humana. Eles tentaram "explicar" os milagres e maravilhas descritos na Bíblia e rejeitá-la como um compêndio de narrativas históricas (a maior parte das quais não era confiável), poesia, filosofia, crônicas das dinastias, rituais sacrificais e conceitos religiosos comuns a muitas civilizações antigas. Além disso, quando chegaram a Jesus, eles admiravelmente o descreveram como um exemplo perfeito de um homem justo, de caráter impecável e de estatura moral, um homem a quem todos poderiam emular — mas apenas um homem, não Deus.
Este ataque continua até hoje. O Maligno está usando todas as mentiras possíveis para solapar a Bíblia. Vastas pseudo-erudições acadêmicas têm sido usadas para questionar a exatidão e confiabilidade dos textos bíblicos originais, a realidade histórica das pessoas e localidades mencionadas na Bíblia, a canonicidade dos livros incluídos (ou excluídos) na Bíblia, a estrutura do tempo bíblico, os estilos literários usados, a exatidão científica dos muitos fatos apresentados, e muito mais. Esses estudos são financiados por instituições cujo objetivo principal é desacreditar a Bíblia e promover uma cosmovisão panteísta ou maçônica. Muitas mentes brilhantes já foram recrutadas para esse propósito, acadêmicos e teólogos que frequentemente nem se incomodam em esconder sua hostilidade em relação à verdade bíblica.
Não há uma mentira que Satanás deixará de contar para poder atacar e desacreditar a Bíblia. A simples multiplicidade de mentiras é, em si mesma, um grande desafio para os fiéis cristãos, pois ninguém consegue ter tempo suficiente para estudar e refutar cada uma delas. Por exemplo, o Maligno dispõe de recursos financeiros para empregar dezenas de homens de elevada instrução durante décadas para que eles construam uma mentira cujo único propósito seja o de contestar a evidência arqueológica que prova a existência de apenas uma ou duas cidades bíblicas.

Satanás construiu um modelo complexo do "universo" para desafiar a Bíblia. Nesse modelo, uma minúscula Terra esférica se desloca velozmente por um cosmos infinitamente vasto, e está povoada com formas de vida acidentais que simplesmente evoluíram a partir do nada. Essa mentira é tão absurda que qualquer pessoa que possua um cérebro funcional deveria ser capaz de vê-la como o que ela é — a não ser, é claro, que ela seja apresentada como "ciência". É por isto que os homens podem acreditar que estão em uma bola que está percorrendo o espaço a uma velocidade de 28 Km por segundo e que a cada ano essa bola minúscula percorre uma distância de quase 900 milhões de quilômetros em torno de outra bola. Como a humanidade foi treinada a acreditar nos pronunciamentos da "ciência" mesmo quando eles estão absurdamente em conflito com o senso comum, a teoria de que a Terra se move como um projétil, e outras tolices, são amplamente aceitas como verdadeiras.
O Maligno também está tornando cada vez mais difícil para os homens lerem a Bíblia. Ele produziu tantas traduções para o idioma inglês somente que o verdadeiro significado na maioria dos casos tem sido espertamente mutilado. A maioria das equipes de tradução hoje inclui membros que não são cristãos nascidos de novo e que, portanto, não podem interpretar corretamente aquilo que a Bíblia diz: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." [1 Coríntios 2:14].
Quando foi a última vez que você apanhou uma Bíblia que foi totalmente traduzida por uma equipe altamente qualificada de cristãos nascidos de novo? A única que conheço é a Bíblia Autorizada do Rei Tiago (King James Version), de 1611.
Além disso, quase todas as traduções modernas usam um manuscrito-fonte diferente do Textus Receptus, ou "Texto Recebido". O Texto Recebido está baseado em mais de 5.000 manuscritos-fontes, cuidadosamente conferidos um contra o outro para fins de validação, enquanto que as traduções modernas dependem fortemente de somente dois manuscritos, o Codex Vaticanus e o Codex Sinaitucs, ambos os quais sabidamente contêm sérias imperfeições.
Assim, o que está acontecendo? Estamos sendo enganados? É claro que sim! O Maligno está sistematicamente degradando a Bíblia. Este processo teve início com força na segunda metade do século 19, principalmente na Inglaterra e na Alemanha, e tem aumentado em intensidade desde então. Como resultado, temos agora pastores e pregadores de comunidades cristãs em todo o mundo que baseiam seus sermões em uma paráfrase da Bíblia criada pelo homem, conhecida como "A Mensagem", e a tratam como se fosse a Palavra de Deus.

Construindo a Religião do Mundo Unificado

De modo a formar sua religião do Mundo Unificado, Satanás precisa reduzir grandemente o número de cristãos nascidos de novo que possam usar fielmente as duas armas mortais que Deus lhes deu. Portanto, ele precisa continuar a atacar a Bíblia e a verdadeira oração bíblica de todas as formas possíveis. Como ele não pode tomá-las de nossas mãos, ele precisa enganar os fiéis cristãos, levando-os a trocá-las por substitutos ineficazes, isto é, por falsos modos de oração e por traduções de má qualidade.
Os seguintes são apenas uma amostra dos muitos truques que Satanás está usando para alcançar seus objetivos:
  1. Ele convenceu uma grande parte da igreja que o Novo Testamento suplantou o Velho Testamento e que não existe a necessidade de estudar este último.
  2. Ele atribuiu um deus de amor para o Novo Testamento e um deus de ira para o Velho, um truque perverso que distorce o Evangelho e zomba da Palavra de Deus.
  3. Ele convenceu muitos que a Bíblia somente "fala" conosco quando usamos técnicas como a contemplação e Lectio Divina.
  4. Ele solapou a verdade literal da Palavra de Deus e a substituiu por alegorias, metáforas, símbolos e muitas outras coisas. ("É claro que você não acredita que Jonas foi engolido por uma baleia real, não é mesmo? Esta é apenas uma metáfora para ensinar uma verdade profunda para pessoas simples.").
  5. Ele fez uma distinção entre verdades que são essenciais e aquelas que são opcionais. Isto lhe permite descartar, trivializar ou negligenciar grandes porções da Palavra de Deus.
  6. Ele contextualizou a Bíblia para que seu significado necessariamente varie com a cultura ou origem étnica de seus leitores. Aquilo que é certo em uma cultura é errado em outra. ("Os judeus condenavam o uso de roupas de homens pelas mulheres, ou o uso de roupas de mulheres pelos homens, mas isto é puramente um aspecto cultural e não se aplica a nós hoje.").
  7. A Bíblia está obsoleta, com suas regras para dieta alimentar e sacrifícios de animais. O mundo mudou desde os tempos bíblicos e precisamos de profetas modernos que a tornem mais relevante e tragam novas revelações.
  8. O conhecimento é bom, mas nunca devemos permitir que ele reprima nossas emoções e experiências. A verdade não deve ser guardada em uma caixa... ou em um livro. Uma pessoa espiritual precisa viver no espírito e ouvir a voz de Deus quando ela fala conosco hoje. (Quantas heresias já foram geradas por esta mentira!)
  9. A adoração é mais importante que o estudo bíblico na vida diária. A igreja precisa se concentrar na adoração e usá-la para abrir nossos corações para o amor de Deus. (A destruição da adoração cristã por meio do uso da música secular é um tópico tão sério que será tratado brevemente em um ensaio específico sobre o assunto.)
  10. A Bíblia toda fala sobre o amor e a necessidade de tolerância. Os cristãos precisam colocar de lado suas diferenças e focar somente aquilo que têm em comum. Jesus não era um fundamentalista e teria condenado os que se chamam hoje de "defensores da verdade bíblica". (Isto deve parecer doce e suave aos ouvidos de Roma!).
Poderíamos continuar ainda mais, porém não é necessário. Depois que o indivíduo deixa de acreditar na suficiência, autoridade e totalidade da Palavra de Deus, poderá seguramente ser desviado do caminho. Satanás tem uma mentira para todos. Não evitamos as mentiras dele conhecendo cada uma delas, mas fazendo uma imersão diária na Palavra de Deus e usando-a como nosso único guia e bússola na vida.

A Ignorância Contemporânea da Palavra de Deus


Vamos considerar apenas um exemplo do estrago que pode ser provocado por uma compreensão descuidada ou inexistente da Palavra de Deus. Quando os assim chamados "profetas" de Kansas City começaram a formar um grupo de seguidores, eles usaram o termo "Exército de Joel" como divisa em seu estandarte. Aparentemente, ele viam a si mesmos como grandes guerreiros espirituais, exatamente como o "meu grande exército" — mencionado em Joel 2:25, lutando contra as forças das trevas e conquistando o mundo para Jesus. Presumivelmente, os muitos milhares que ouviram esses falsos profetas estavam contentes em serem descritos dessa forma. Mas, faça uma pausa por um momento e veja o que diz o texto bíblico:
"E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto, a locusta, e o pulgão e a lagarta, o meu grande exército que enviei contra vós." [Joel 2:25].
O termo "meu grande exército" na verdade se refere a um enxame de locustas devoradoras, um termo que em toda a Bíblia indica a severidade do julgamento de Deus contra uma nação rebelde:
"Os gafanhotos, embora sejam pequenos, são nas mãos de Deus "um grande exército" [Barnes]; exércitos de insetos [Poole]; gafanhotos... o exército de Deus [Gill]; os gafanhotos, locustas e lagartas são aqui chamados de grande exército de Deus [Matthews Henry].
A palavra "exército" também aparece em dois outros versos (2:11 e 2:20) e em cada um deles significa uma multidão de insetos devoradores, ou um exército de invasores pagãos.
Joel 2:25 não é um verso difícil de interpretar. Ele virtualmente explica a si mesmo. O contexto no capítulo 2 torna-o ainda mais claro. Não há possibilidade que ele possa significar um grande exército de santos comissionados por Deus para transformar o mundo! Mas, os assim chamados profetas de Kansas City não sabiam disso. Para vergonha deles, ninguém em suas inchadas fileiras pôde ver que a divisa em seu estandarte era simplesmente ridícula.

Conclusão

O Maligno tem feito tudo o que pode para convencer os cristãos professos que os antigos hinos e a tradução fidedigna KJV (ou a Almeida Corrigida e Fiel, em português) são enfadonhos e obsoletos, com pouca ou nenhuma relevância para nossas vidas modernas. Ele também convenceu muitos que a oração cristã tradicional é inferior à "oração contemplativa" praticada pelos místicos. A triste realidade que que os antigos hinos, as traduções fidedignas da Bíblia e a oração cristã tradicional são tudo o que permanecem firmes entre o verdadeiro Cristianismo bíblico e o falsificado Cristianismo ecumênico do tipo "o amor é tudo e tudo é amor" que está sendo desenvolvido por Roma.
"Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?" [Salmos 11:3].


Anexo

Temos uma Oração?

Autor: T. A. McMahon (The Berean Call)
Temos uma oração? Existem muitas formas em que podemos considerar esta questão. Como exemplo, provavelmente todos já ouvimos alguém dizer: "Agora, nem adianta rezar", quando a probabilidade de algo desfavorável acontecer é extremamente alta. Existem os apelos de último recurso, algumas vezes chamados de "orações na toca da raposa", quando um soldado clama a Deus para salvá-lo do inimigo que está devastando a sua posição. Existem as invocações do tipo "um acordo com o diabo". Algumas orações também tomam a forma de encantamentos, que supostamente podem manipular os poderes do universo, bastando que sejam repetidas.
Dentro da Cristandade, a oração frequentemente se tornou uma tentativa de manipular Deus. A Confissão Positiva, que é basicamente dar uma ordem para Deus agir, é uma técnica favorita entre um número crescente de cristãos. Ao longo dos anos, o ministério The Berean Call publicou muitos livros e artigos que trataram sobre os abusos na oração. Nosso objetivo neste artigo é enfocar a oração bíblica — basicamente, o que a Bíblia diz sobre o assunto e se estamos, como fiéis cristãos, nos conformando com seus ensinos.
Desde o início deste ministério, a oração nunca foi algo teórico ou acadêmico teologicamente. Na verdade, nunca iniciamos nosso dia de trabalho sem primeiro passar um tempo juntos em oração. As reuniões da equipe nas manhãs das quintas-feiras são dedicadas à oração intercessória por aqueles que telefonam, escrevem cartas ou enviam mensagens de correio eletrônico com pedidos de oração. Quisemos deixar isto claro desde o início deste artigo porque, ao olharmos para o que as Escrituras dizem sobre a oração, iremos referenciar os nossos períodos de oração como um testemunho da verdade da Palavra de Deus.
"Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal." [1 Pedro 3:12].

A Oração É a Comunicação Pessoal do Fiel Cristão com Deus

Primeiro de tudo, a oração é a comunicação pessoal do cristão com Deus:
"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças." [Filipenses 4:6].
Em praticamente todas as religiões e sistemas de crenças, a oração é normalmente memorizada e ritualística, sem ter quaisquer qualidades pessoais e interativas. O Cristianismo bíblico é a exceção, porque um cristão verdadeiro, que é nascido de novo pelo Espírito de Deus, inicia sua vida em Cristo de um modo muito pessoal: com um relacionamento íntimo e pessoal com Jesus Cristo.

A oração "repetida na ponta da língua', mecânica ou ritualística, impersonaliza aquilo que deveria ser uma comunicação muito pessoal entre o cristão e o Senhor. Todavia, uma das tendências mais recentes dentro da Cristandade que afirma promover a prática pessoal e experimental da oração contemplativa, ensina a oração repetitiva (Lectio Divina) — proferir uma palavra ou frase inúmeras vezes, às vezes até centenas de vezes. Isto não é apenas impessoal, mas uma comunicação que não faz sentido. Apesar disto, um influente líder dentro do Movimento da Igreja Emergente afirma que ora a Jesus todas as manhãs repetindo Seu nome centenas de vezes. Mais importante ainda, esta prática não tem base bíblica:
"E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes." [Mateus 6:7-8].
Todos os ensinos sobre oração nas Escrituras revelam claramente seus aspectos pessoais.
Embora a pergunta bem conhecida, "O que faria Jesus?" pareça ter se metamorfoseado em um tipo de esquema de marketing (por exemplo, os braceleles e bonés que têm essa frase inscrita como um emblema), ela pode nos motivar a verificar o que Jesus realmente fez. A oração é claramente algo que Ele praticava, e isso de forma contínua. O Filho sempre estava em comunicação com o Pai. Apesar do fato que ser diariamente buscado pelas multidões, Ele separava tempo para se retirar e orar:
"E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só." [Mateus 14:23].
Se a oração era importante para o imaculado e perfeito Deus-homem, isto deve dizer muito para nossos imperfeitos corações, que estão vulneráveis ao pecado e terrivelmente necessitados. A oração é algo que precisamos praticar.
A Escritura também nos diz que Ele "... subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus." [Lucas 6:12] e que Ele se referiu ao Templo como "A minha casa é casa de oração" [Lucas 19:46]. Nosso Senhor orou para que Pedro fosse protegido de Satanás: "... eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça..." [Lucas 22:31-32].
Ele disse aos Seus discípulos:
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." [Mateus 26:41].
"Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam." [Lucas 6:27-28].
Jesus deu aos seus discípulos um padrão de oração (veja Lucas 11:1-4) e para os que criam e os que viriam a crer, Ele orou: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim." [João 17:20].

Jesus Continua a Orar por Nós

Algumas vezes nos esquecemos (se é que sabíamos disto) que Jesus não somente nos exortou a orar, mas Ele orou por nós, e continua a interceder. Ele intercede por nossa proteção e eficácia no mundo:
"Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal."[João 17:15].
"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles." [Hebreus 7:25].
"Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." [Romanos 8:34].
Jesus orar ao Pai por nós é o que melhor podemos ter em termos de oração intercessória. Eu certamente não sei como funciona, mas sei que isto foi importante o suficiente para o Espírito Santo incluir na Palavra de Deus. Além disso, por meio da inspiração do Espírito Santo, recebemos instruções sobre como devemos funcionar na oração. As Escrituras deixam muito claro que a oração não é uma questão incidental para o fiel cristão.

Oração "Sem Cessar"

A oração é frequentemente acompanhada pelas palavras "sem cessar", ou alguma expressão similar. A apóstolo Paulo, que usava esses termos mais do que qualquer outro autor no Novo Testamento, apresentava sua própria vida como um padrão e um exemplo de como os cristãos deveriam viver suas vidas em Cristo (veja Filipenses 3:17 e 1 Tessalonicenses 2:10) e sua ênfase em oração reforça tudo o que ele fazia. Aos efésios, ele escreveu: "Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações." [1:16]. Aos colossenses, ele escreveu: "Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós." [1:3] e "Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual." [1:9]. Para os tessalonicenses, ele disse: "Orando abundantemente dia e noite, para que possamos ver o vosso rosto, e supramos o que falta à vossa fé?" [1 Tessalonicenses 3:10].

Não Existe Segredo na Oração

Paulo escreveu: "O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco." [Filipenses 4:9]. Ele era um cristão tão extraordinário que podemos perder de vista o fato que ele não era diferente de nós, que também somos cristãos. Ele era um pecador salvo pela graça, como todos os cristãos são. A vida dele foi vivida pela graça de Deus, que está disponível para cada um de nós. Portanto, qual era seu "segredo" para o sucesso espiritual? Não há segredo algum: Oração!
"Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." [Tiago 5:16].

Pedir Que os Outros Orem por Nós


Paulo não somente orava continuamente pelos outros, mas também pedia que os outros orassem por ele:
"E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia..." [Romanos 15:30-31].
"Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, e por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar." [Efésios 6:18-20].
"Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso." [Colossenses 4:2-3].
Paulo não tinha dificuldades em pedir que os outros orassem por ele, porém muitos hoje estão relutantes em fazer isso. A principal desculpa, especialmente no que se refere aos membros da família, é: Não quero que eles fiquem preocupados.". Embora existam exceções, frequentemente esta é uma desculpa esfarrapada. Conscientemente, nós poupamos os outros da oportunidade de pedir ao Senhor por Sua graça e misericórdia em nosso favor. Isto também priva nossos irmãos em Cristo da oportunidade de verem a intervenção de Deus e, sem terem conhecimento da situação de alguém que precisa de oração, eles deixam de receber o encorajamento que sentiriam ao ouvirem o relato de um motivo de louvor.
Existem outras desculpas para não pedir orações para os outros, porém quase sempre elas envolvem alguma forma de orgulho, alguma forma de preocupação com aquilo que os outros vão pensar de nós. Até "esta é uma questão pequena para levar diante de Deus, ou para pedir que os outros orem", o que pode ser traduzido como "Posso lidar sozinho com este assunto." Sério mesmo? Quando o "eu mesmo" entra em cena, nada de bom pode vir daí.

Fé em Nós Mesmos, ou Fé em Deus?

Para os homens que se julgam autossuficientes, que gostam de dizer "Deus ajuda a quem cedo madruga" e para aqueles que seguem o mantra da Confissão Positiva, ceder à vontade de Deus é um tipo de renúncia que solapa nossa "fé" em nós mesmos. Além do fato que nossa fé em nós mesmos precisa ser "solapada", qual cristão bíblico pensaria que a vontade de Deus — aquilo que Ele deseja para nós — não é absolutamente o melhor a que podemos nos conformar e receber?
Jesus certamente incentivou isto ao perguntar: "Qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?" [Mateus 7:9-11] Jesus, talvez no ponto mais difícil de Sua vida, orou a Deus, o Pai: "Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua." [Lucas 22:42]. Isto não foi uma renúncia?
A oração é um tipo de um mistério no sentido que Deus conhece o que necessitamos antes de pedirmos e também sabe que vamos pedir aquilo. Alguns questionam: "Por que então orar, se Deus sabe de tudo?" Bem, Ele sabe; nós não. Como saberíamos que Deus estaria intervindo em nossas vidas se não tivéssemos comunicação em oração com Ele? Se não existem pedidos, então não pode haver confiança que Deus está fazendo algo para nós.

A Necessidade de Obediência

Outro aspecto da oração é que ela pode nunca chegar até o trono de Deus. Hebreus 4:16 nos exorta: "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno." O que pode bloquear nossas orações?

"Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." [Tiago 4:2-3].
"Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações." [1 Pedro 3:7].
Caminhar em desobediência às instruções dadas na Palavra de Deus impede que nossos pedidos cheguem a ser ouvidos:
"Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal." [1 Pedro 3:12].
Dave Hunt, meu melhor amigo no Senhor (que está agora com o Senhor), tinha um ótimo senso de humor e frequentemente se autodepreciava. Ele dizia (ironicamente): "As pessoas evitam minhas palestras e conferências aos milhares e milhões." As congregações riam quando o ouviam dizer isso, pois sabiam que não era o que acontecia com aquele talentoso palestrante. Mas, aqui está uma coisa que não faz ninguém rir: Os cristãos evitam as reuniões de oração aos milhares e milhões. Ainda não convencido? Faça sua igreja programar uma reunião semanal de oração e conte o número de cabeças após a segunda ou terceira semana. Embora louvemos o Senhor pelas exceções, o entusiasmo inicial (o que já pode ser um exagero) desaparece em bem pouco tempo.
A parte mais triste desse acontecimento é aquilo que estão perdendo os que evitam as reuniões de oração, ou deixam de participar delas. Apenas como um exemplo, vamos nos referir novamente ao tempo de oração diário da equipe no ministério The Berean Call. Primeiro de tudo, todos nos conhecemos e amamos uns aos outros, e nos preocupamos com o que está acontecendo nas vidas uns dos outros. Portanto, oramos cinco dias por semana, ou mais, pelas necessidades e pedidos uns dos outros. Essa continuidade nos permite ouvir muitos dos detalhes de como Deus respondeu às nossas orações, o que é um tremendo encorajamento e fortalece a confiança em nosso Senhor à medida que Ele confirma os ensinos de Sua Palavra. São muitos os pedidos de oração e os motivos de louvor. Isto também reforça a comunhão que devemos ter como irmãos e irmãs em Cristo.

Buscando a Ajuda de Deus em Tudo Que Fazemos

A oração não é uma sugestão e nem uma opção do tipo "ore quando você sentir vontade" para os cristãos bíblicos. Em sua primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo o orientou a exortar os cristãos em Éfeso a orarem uns pelos outros:
"Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens." [1 Timóteo 2:1].
Tudo o que um fiel cristão faz precisa começar com oração e ser sustentado pela oração:
"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." [1 Coríntios 10:31].
"E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai... E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens."[Colossenses 3:17,23].
Novamente, nossa oração precisa ser uma comunicação contínua e pessoal com o Senhor, buscando Sua ajuda em tudo o que fazemos.
Temos uma oração? Certamente que sim. É a seguinte: que a oração seja parte do nosso estilo de vida — nosso modo contínuo de fazer as coisas que precisamos fazer — tudo para a glória de Deus e que Sua graça e misericórdia sejam abundantemente manifestas em nossas vidas.